13 DE JULHO É O DIA MUNDIAL DO ROCK =)

=DIA MUNDIAL DO ROCK=
Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres na Inglaterra e na Filadélfia nos Estados Unidos. O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.
Foi transmitido ao vivo pela BBC para diversos países e abriu os olhos do mundo para a miséria no continente africano. 20 anos depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8 como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres erradicar a miséria do mundo.
Desde então o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.

fonte: wikipédia 

De onde vem a expressão rock and roll?


A expressão, que literalmente significa "balançar e rolar", fazia parte da gíria dos negros americanos desde as primeiras décadas do século XX, para referir-se ao ato sexual. Assim, ela já aparecia em várias letras de blues e rhythm’n’blues como "Good Rockin’ Tonight" (1947), de Roy Brown - antes de ser adotada como nome do novo estilo musical, que surgiu nos anos 50, com Bill Halley e Elvis Presley, e consistia basicamente na fusão desses ritmos negros com a branquela música country. Esse batismo costuma ser atribuído ao disc-jóquei americano Alan Freed (1922-1965), cujo programa de rádio foi um dos principais responsáveis pela popularização da nova onda, altamente dançante, que logo contagiou toda a juventude do país e do mundo.
Na década de 60, o rótulo foi abreviado para rock, para abranger as mudanças provocadas por artistas como Bob Dylan e Beatles, abrindo um leque de infinitas variações: rock psicodélico, rock progressivo, folk rock, hard rock, heavy metal etc etc. A partir daí, o termo rock’n’roll passou a significar exclusivamente o estilo original, característico da década de 50.
Alan Freed, o primeiro DJ superstar da história, batizou o balanço pop.


Qual a origem dos nomes no rock?

por Tarso Araújo
Beatles
Tanta gente perguntava a origem do nome para John Lennon que cada vez ele inventava uma história diferente. A mais aceita é que o primeiro nome, The Beetles ("Os Besouros"), foi inspirado na banda The Crickets ("Os Grilos"). O "a" veio depois, por idéia de Lennon, que gostou do trocadilho com beat (ritmo, batida).

Guns n'Roses
Axl Rose teve uma banda chamada Hollywood Rose até 1985, quando formou outra com o guitarrista Tracii Guns, do L.A. Guns. O nome escolhido para o novo time foi uma mistura dos dois anteriores. Tracii só serviu para batizar a banda, pois logo deixou o grupo para dar lugar ao cabeludo Slash.

AC/DC
Angus e Malcolm Young se inspiraram na máquina de costura da irmã deles, que tinha a inscrição AC/DC (corrente alternada/corrente contínua, que indica que o aparelho funciona tanto na tomada quanto com bateria). Eles não sabiam que a sigla também é uma gíria para bissexuais.

Rolling Stones
Rollin’ Stone era o nome de um blues de Muddy Waters, ídolo do guitarrista Brian Jones, que decidiu botar o nome da música (cuja letra dizia que "pedra que rola não cria musgo") na banda. O "g" veio anos depois, dada a insistência de um empresário em prol do inglês correto.

Led Zeppelin
Keith Moon, baterista do The Who, disse a Jimmy Page que a banda dele iria voar como um balão de chumbo. Daí o nome "zepelim de chumbo", lead zeppelin. Depois Page tirou o "a" para que os fãs do grupo não pronunciassem "lid" - som que lead tem quando significa liderança.

Foo Fighters
Na 2ª Guerra, os pilotos americanos freqüentemente viam bolas de fogo e objetos não identificados enquanto sobrevoavam a Europa. Eles chamaram aquelas coisas de foo fighters: foo era o jeito americano de dizer as palavras francesas feu ("fogo") ou fou ("louco").

Ramones
Pura inspiração nos Beatles. Paul McCartney usava o nome Paul Ramon para evitar a imprensa quando dava entrada em hotéis. O baixista Douglas Colvin gostou da idéia, mudou seu nome para Dee Dee Ramone e convenceu os colegas a fazer o mesmo.

Limp Bizkit
Há duas teorias não confirmadas, cada uma com um significado da palavra limp. Na primeira, ela significa "mole", e o biscoito mole seria o cérebro do vocalista Fred Durst sob efeito da maconha. Mas a palavra também significa "manco", como um cachorro de Durst que se chamava Biscuit – a outra possível inspiração.

Sex Pistols
O nome da banda punk inglesa foi idéia do seu empresário. Malcolm McLaren se inspirou na sua butique de roupas, a Sex, e pensou que ficaria legal estender a marca para o nome da banda, acrescentando a palavra "pistola" para dar uma conotação ainda mais fálica àquele sexo punk.

Legião Urbana
Depois do fim da banda Aborto Elétrico, Renato Russo começou a tocar com o baterista Marcelo Bonfá. Antes de Dado Villa-Lobos aparecer, a idéia dos dois era revezar guitarristas e tecladistas para completar a banda. Uma legião de músicos, no caso.

Os Replicantes
No filme Blade Runner (1982), replicantes eram os andróides criados como réplicas dos humanos que acabavam se revoltando contra seus criadores. História perfeita para a banda punk gaúcha, numa época em que o filme com Harrison Ford era a coisa mais modernosa do mundo.

Paralamas do Sucesso
A banda de Herbert Vianna poderia se chamar As Plantinhas da Mamãe ou As Cadeirinhas da Vovó – o grupo ensaiava na casa da avó do baixista Bi Ribeiro. Foi ele que teve a idéia de mudar para Paralamas, que todos acharam curioso e ridículo o suficiente.

Capital Inicial
O nome da banda de Brasília não tem nada a ver com a capital federal. É que, como os músicos do grupo cantavam em festas e baladas só de brincadeira, não tinham dinheiro pra começar uma carreira profissional. Ou seja, faltava o "capital inicial".

Biquíni Cavadão
Quando tocavam músicas de Kid Abelha e Paralamas do Sucesso, o grupo de estudantes adolescentes recebeu uma visita do ilustre Herbert Vianna, que comentou: "Se eu tivesse essa idade, só pensaria em mulher, carros e biquíni cavadão". Daí pegou.

Qual é a banda de rock que está há mais tempo na estrada?

por José Augusto Lemos
Os Rolling Stones, atualmente em mais uma de suas incontáveis megaturnês mundiais, estão fazendo 41 anos de palco. Batizada de Forty Licks Tour ("Turnê das Quarenta Lambidas"), a excursão foi iniciada no ano passado justamente para comemorar as quatro décadas corridas desde o primeiro show da banda, em 1962, no lendário Marquee Club, em Londres. Da formação original, permanecem a dupla central Mick Jagger e Keith Richards e o baterista Charlie Watts, todos sexagenários, mas ainda capazes de empolgar as multidões que lotam estádios para vê-los em carne e osso tocando clássicos como "Satisfaction" e "Street Fighting Man".
Em segundo lugar, aparecem os também ingleses The Who. Liderado pelo guitarrista e compositor Pete Townshend, o grupo estreou em 1964 e se dissolveu em 1983 - mas nunca deixou de fazer reaparições esporádicas. A banda estava às vésperas de uma grande turnê pelos Estados Unidos no ano passado, quando a morte do baixista John Entwhistle provocou o cancelamento de todos os shows.
O recorde dos Stones é superado, porém, pelos irmãos australianos Robin, Barry e Maurice Gibb, que compunham os Bee Gees. Na ativa desde 1958, o grupo faria 45 anos de carreira em 2003, mas declarou seu fim após o falecimento de Maurice, no último mês de janeiro. O problema é que os Bee Gees não se encaixam em uma definição rigorosa de "banda de rock". Primeiro, porque sempre foram mais um grupo vocal, acompanhado por outros músicos. Depois, porque, alternando entre o pop romântico e o dançante (atingindo seu auge na didiscothèquescothèque dos anos 70), raramente puseram os pés no que chamamos de rock’n’roll.

Qual é o disco de rock mais vendido de todos os tempos?

por José Augusto Lemos
Nós apostaríamos em um empate técnico entre The Wall (1979), do Pink Floyd, e Led Zeppelin IV (1971), do Led Zeppelin, ambos na casa das 40 milhões de cópias. É impossível obter uma resposta mais precisa, porque não existe uma instituição que levante os números de venda de discos em todo o globo. O Guinness, o "livro dos recordes", aponta como álbum mais vendido de todos os tempos Thriller (1982), de Michael Jackson, com vendagem hoje calculada em 47 milhões de cópias. Mas ninguém classificaria esse disco na categoria rock.
Na falta de dados globais, as estimativas mundiais vêm de projeções baseadas nos números da Recording Industry Association of America (RIAA), órgão oficial da indústria fonográfica americana. Ela publica informações sobre os Estados Unidos, o maior mercado de todos, representando cerca de 30% do total do planeta. Segundo os números da RIAA, Thriller é superado em sua própria terra, há três anos, pela coletânea Their Greatest Hits: 1971-1975, do grupo Eagles, lançada originalmente em 1976. Esse álbum seria o atual campeão americano, com 28 milhões de cópias vendidas - seguido de Thriller, com 26 milhões, The Wall, 23, e Led Zeppelin IV, 22. Mas, ao contrário de Michael Jackson, o chamado folk rock dos Eagles não reproduz seu sucesso fora dos Estados Unidos - são conhecidos apenas por uma única canção, "Hotel California".
Com Eagles (pela pouca vendagem fora da América) e Thriller (por ser um disco pop) fora do páreo, o título de álbum de rock mais vendido da história fatalmente ficaria com uma das duas bandas inglesas, Pink Floyd e Led Zeppelin. Os discos de ambos os grupos continuam vendendo em toda parte, entre as gerações mais novas. Só não dá para garantir quem leva a melhor. A margem americana de apenas 1 milhão entre o quarto álbum do Zeppelin e The Wall é pequena demais, estatisticamente, para garantir a vitória de um deles.

 O NOVO ROCK
 Para entender o novo rock
As raízes musicais e as ambições dos
grupos mais badalados da atualidade

Sérgio Martins


 A banda americana The Strokes é uma das atrações internacionais mais aguardadas do calendário de shows no Brasil este ano. Em outubro, ela fará apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Formado em Nova York no fim dos anos 90, o Strokes é a cara de uma tendência em alta: o novo rock de garagem. São bandas que, assim como fizeram Nirvana e companhia nos anos 90, recuperam aquele espírito meio transgressor e despojado que de tempos em tempos emerge na cena roqueira. Depois de um período de predomínio do pop e da música eletrônica, elas recolocaram as guitarras na ordem do dia. Ao lado do Strokes, o grupo mais bem-sucedido do ramo é o White Stripes, dupla de Detroit que recentemente divulgou seu novo disco no Brasil, numa passagem ruidosa pela Amazônia. Lançado em junho, o CD Get Behind Me Satan entrou direto no terceiro lugar das paradas americanas. O novo rock tem outros expoentes. De tão caipira, o Kings of Leon é uma banda que quase faz "rock de celeiro". Mas seus quatro integrantes, todos da mesma família, saíram do interior americano para tornar-se a banda de abertura de uma turnê do U2. Também novatos, os Killers, de Las Vegas, venderam 2 milhões de cópias de seu álbum de estréia – tanto quanto Mariah Carey obteve com seu último trabalho. A tendência é engrossada ainda pelos americanos Bravery, Interpol e Yeah Yeah Yeahs, pelo escocês Franz Ferdinand e pelo anglo-americano The Kills – que, aliás, também deverá se apresentar em São Paulo, no começo de agosto.
Se há uma diferença entre os roqueiros de garagem atuais e seus congêneres do passado, é que se trata de uma geração que já chega à cena sem ingenuidade. Os artistas primam pela autoconsciência – musical e comercial. Nenhum deles tem a pretensão de reinventar o rock do zero. Pelo contrário: são bandas com evidente apelo retrô, embora muitas prefiram a morte a confessar suas fontes de inspiração (veja quadro). Algumas – as melhores, obviamente – fazem releituras fortes da "tradição". É o caso do White Stripes, que bebe do blues e da música country de maneira excêntrica: os arranjos são minimalistas, despidos de outros instrumentos que não bateria e a guitarra pesada de Jack White. Outros grupos – em especial aqueles que se apegam à herança dos anos 80 – lidam pior com a angústia da influência. O Interpol é cópia escarrada dos ingleses do Joy Division. Entre o Bravery e o Killers, o páreo da falta de originalidade é duro – mas esse último pelo menos tem o mérito de ter feito sua xerox do The Cure antes do concorrente.
Não é só na música que se nota a falta de inocência das novas bandas de garagem. Todas têm uma clara noção de como o rock se mistura com a moda, por exemplo. O Franz Ferdinand e o Strokes são casos emblemáticos. Os primeiros sobem ao palco com ternos de corte imaculado, e os segundos são mauricinhos que usam roupas cuidadosamente desarrumadas. Àqueles que por acaso falte o necessário senso de estilo, as gravadoras o providenciam. Como observou o crítico musical Alexis Petridis, do jornal inglês The Guardian, qualquer banda de rock de hoje em dia passa pela mesma preparação de uma boy band – os grupelhos fabricados pelas gravadoras para fisgar as adolescentes. Os artistas contam com consultores de imagem e aprendem a se portar nas entrevistas. Os matutos do Kings of Leon, por exemplo, deixaram para trás recentemente o visual ensebado e passaram a usar calças justíssimas e cabelos escovados. Até editoriais de moda já andaram fazendo.
Esse jogo com o marketing é calculado – mas tem seus perigos. É legítimo especular sobre a persistência dessas bandas, talentosas na maioria dos casos, mas que se entregam de boa vontade aos caprichos de uma indústria musical afeita, por sua própria natureza, a buscar uma novidade a cada dez minutos. Grupos como o White Stripes e o The Kills dão mostras de ter fôlego, mas não seria surpresa se o Bravery ou o The Killers sucumbissem na próxima estação.
É curioso traçar um paralelo entre o fã do novo rock e o pessoal que cultuava as bandas "descoladas" de períodos como os anos 80. Naquela época, não havia um canal como a MTV nem internet e era complicado importar discos. Por isso, ouvir esse tipo de música exigia garimpagem – os fãs extraíam prazer da sensação de pertencer à "elite" que tinha acesso a esses artistas. Hoje, tudo ficou mais fácil. No fundo, porém, a motivação é a mesma. Uma parcela dos apreciadores dessas bandas, aliás, é de trintões que viveram os anos 80 e encontram nas influências nostálgicas dos novos roqueiros uma forma de resgatar a adolescência perdida. Mas os adolescentes de hoje também buscam nelas o mesmo tipo de consolo: a ilusão de pertencer a um grupo especial de pessoas, que só ouve rock "esclarecido". Nem que seja feito em laboratório.

BANDAS QUE NASCEM E MORREM COM RAPIDEZ 

Cinco anos atrás, anunciou-se que o grupo americano The Strokes seria a salvação do rock. A festa durou pouco: antes de chegarem ao terceiro disco, eles já são considerados veteranos, tão distantes na linha do tempo quanto, digamos, os Ramones. Há menos de dois anos, os escoceses do Franz Ferdinand, inspirados pelo Strokes, se tornaram a bola da vez. Para o público que primeiro os consagrou, entretanto, eles já soam ultrapassados. Alguns meses atrás, esse pessoal decidiu trocá-los pelo Arctic Monkeys. A banda inglesa virou mania entre os freqüentadores do site MySpace, que rapidamente a promoveram à condição de fenômeno. Assim que a indústria fonográfica e as rádios convencionais encamparam o Arctic Monkeys, porém, sua popularidade evaporou, num processo que consumiu não mais do que um semestre. Podem-se tirar duas lições daí. A primeira é que o novo som de garagem inaugurado pelo Strokes parece estar perto de se esgotar. Ou seja, o rock morreu – de novo. Presume-se que renascerá em breve, embora sua próxima roupagem ainda seja desconhecida. A segunda lição é bem mais curiosa: à medida que cresce o poder da internet para coroar e depor reis do rock, diminui o poder da indústria fonográfica para fabricá-los, e mais se acelera o ciclo de nascimento, vida e morte de uma banda de rock. Como em tudo o mais, as preferências musicais do público que já nasceu na rede são efêmeras: mal o pessoal se entusiasma com um brinquedo, já se cansa dele e o descarta. E, para quem se dispuser a olhar esse quadro com mais atenção, ele contém ainda uma terceira e mais momentosa lição: trilha sonora indisputável do século XX, o rock chega ao século XXI na condição embaraçosa de apenas mais um entre muitos dos fundos musicais possíveis para a vida de um jovem ou de um adolescente.
O flanco mais vulnerável do rock, claro, é o do comportamento que se costumava associar a ele. Desde seu surgimento, no início dos anos 50, o primeiro mandamento do gênero foi provocar o máximo de desconforto nos mais velhos. Todos os seus ícones o cumpriram à risca: Elvis Presley com seu rebolado, os Rolling Stones com seu deboche, os Beatles com seu esoterismo, o The Who com suas atitudes destrutivas (que contemplavam inclusive o equipamento da banda), o Led Zeppelin com sua malícia. Mas como alguém pode se valer do rock para chocar pais que foram, eles próprios, roqueiros? A resposta é que não pode. Para atingir esse objetivo, hoje, existem ferramentas mais eficazes. Por exemplo, o batidão das raves, que irrita os remanescentes dos anos 60 com seu chamado à alienação. Ou o rap, que os preocupa com sua insolência, seu machismo e sua apologia da violência. Já cantar Whole Lotta Love imitando a lascívia de Robert Plant é capaz de, no máximo, despertar uma certa ternura nostálgica em papai e mamãe.
O assédio decisivo ao rock, porém, veio do mesmo instrumento que lhe deu origem – a tecnologia. Mais especificamente, de sua popularização. O momento está registrado com precisão no filme A Festa Nunca Termina, sobre a revolução que se operou a partir da cidade inglesa de Manchester, na virada da década de 70 para a de 80, com o nascimento de bandas eletrônicas como Joy Division e sua sucessora, o New Order. Durante uma festa no clube Hacienda, que serviu de sede ao fenômeno, o empresário Tony Wilson se vira para a câmera e alerta o espectador para um fato inédito: a multidão não está aplaudindo a banda, e sim o DJ. Em outras palavras, não a música, mas o meio. Aí começava a morte do riff de guitarra e o nascimento da batida. O "saber tocar", segundo mandamento do rock (que o punk e o grunge, liderado pelo Nirvana, já tinham como bandeira transgredir), simplesmente deixou de fazer sentido.
O terceiro golpe contra o rock está em pleno curso, graças a uma arma minúscula e poderosíssima – o tocador de MP3. A cada iPod vendido no mundo, tira-se mais uma lasca da fundação sobre a qual o gênero se construiu a partir dos anos 60: o "conceito", expresso em álbuns elaborados para conter novas propostas musicais ou temáticas. O consumidor abaixo dos 30 anos compra cada vez menos CDs, e cada vez mais baixa suas faixas preferidas do computador. Sem esse suporte físico, já não é possível ao artista determinar como suas criações serão ouvidas; o ouvinte agora é que manda no tal "conceito", ou na absoluta falta dele, conforme lhe convenha. Não é exatamente um ambiente propício para que despontem novas lideranças na música – e a prova vem da velocidade crescente com que megassucessos como Strokes, White Stripes ou Franz Ferdinand são desbancados pelos similares a que eles mesmos dão origem. Se você está com o rock e não abre, portanto, só há uma conclusão possível: um trintão mora na sua alma.
EMOCORE!? 
Música punk e letras que parecem
saídas de
um CD de Roberto Carlos?
Isso é emocore
Sérgio Martins
 
Paulo Vitale
CPM 22: o grupo paulistano vendeu mais de 300 000 discos com a receita do "emo"
A gritaria do punk rock sempre girou em torno de questões políticas. Nos últimos anos, contudo, uma nova vertente do gênero surgiu para demonstrar que os brutos musicais também amam. Ela se chama emocore e casa letras emotivas com o barulho do hardcore – daí o seu nome. Odes à mulher amada, reflexões adolescentes sobre a solidão, lamentos pela paixão perdida: são esses os assuntos prediletos dos grupos de "emo" – na abreviação usada pelos fãs. Nos Estados Unidos, bandas como Jimmy Eat World estão chegando ao topo das paradas com essa receita. No Brasil, o mais popular representante do movimento emo é o CPM 22, que já vendeu 300.000 discos. "Juntamos o punk e o romantismo do Roberto Carlos e criamos o robertocore, uma versão nacional do emo", diz Wally, o guitarrista do grupo.
O emocore surgiu no início dos anos 90. Algumas bandas de hardcore decidiram encaixar canções mais leves em seu repertório, para arrefecer o ânimo dos fãs que, atiçados pelas letras violentas, transformavam seus shows em verdadeiros campos de batalha. Aos poucos, foi ficando claro que falar de amor era um bom negócio, até que há dois anos o emo explodiu entre os adolescentes americanos. Os principais grupos de lá são o Jimmy Eat World, que tem servido até como fundo musical para festas de casamento descoladas, e o Dashboard Confessional. Este último, liderado pelo cantor Chris Carraba, bateu os maiores astros da música pop americana no último Video Music Awards, da MTV, com a música Screaming Infidelities.
 
Divulgação
Jimmy Eat World: até em festa de casamento
A trajetória do CPM 22 é semelhante à dos grupos americanos. Formado em 1995, o quinteto tocava canções de protesto na cena alternativa de São Paulo. O lado sentimental, segundo os integrantes da banda, aflorou naturalmente e deu bons resultados. O quinteto passou das pequenas casas noturnas para apresentações em grandes festivais de música. Além do CPM 22, outros grupos começam a ganhar popularidade. O quinteto Dance of Days, cujo vocalista Nenê Altro canta letras meigas como se estivesse sob tortura, começa a ter suas músicas executadas por rádios voltadas para o público jovem. Outra banda que ameaça deslanchar é a Hateen, que se considera a pioneira do emocore no Brasil. Vocalista e guitarrista do Hateen, Rodrigo Koala é o autor de Não Sei Viver sem Ter Você, uma das canções mais tocadas do último disco do CPM 22. Koala tem uma teoria sobre o sucesso do emocore: "As meninas curtem as letras. Por isso, um show de emo é o melhor lugar para um cara que gosta de rock pesado arranjar namorada ou levar a que já tem". É uma maneira, enfim, de juntar o útil ao desagradável.

Fonte das matérias: http://www.abril.com.br/dia_mundial_rock/
 

1 comentários:

Drika disse...

Que post imeeenso! Haha mas ficou legal.
Curti a parada dos nomes... nem sabia de alguns.
Parabéns Cesinha!!
Beijos.

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