=DIA MUNDIAL DO ROCK=
Foi transmitido ao vivo pela BBC para diversos países e abriu os olhos do mundo para a miséria no continente africano. 20 anos depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8 como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres erradicar a miséria do mundo.
Desde então o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.
fonte: wikipédia
De onde vem a expressão rock and roll?
A
expressão, que literalmente significa "balançar e rolar", fazia parte
da gíria dos negros americanos desde as primeiras décadas do século XX,
para referir-se ao ato sexual. Assim, ela já aparecia em várias letras
de blues e rhythm’n’blues como "Good Rockin’ Tonight" (1947), de Roy
Brown - antes de ser adotada como nome do novo estilo musical, que
surgiu nos anos 50, com Bill Halley e Elvis Presley, e consistia
basicamente na fusão desses ritmos negros com a branquela música country. Esse batismo costuma ser atribuído ao disc-jóquei americano Alan Freed
(1922-1965), cujo programa de rádio foi um dos principais responsáveis
pela popularização da nova onda, altamente dançante, que logo contagiou
toda a juventude do país e do mundo.
Na década de 60, o rótulo foi abreviado para rock, para abranger as mudanças provocadas por artistas como Bob Dylan e Beatles, abrindo um leque de infinitas variações: rock psicodélico, rock progressivo, folk rock, hard rock, heavy metal etc etc. A partir daí, o termo rock’n’roll passou a significar exclusivamente o estilo original, característico da década de 50.
Alan Freed, o primeiro DJ superstar da história, batizou o balanço pop.
Tanta gente perguntava a origem do nome para John Lennon que cada vez ele inventava uma história diferente. A mais aceita é que o primeiro nome, The Beetles ("Os Besouros"), foi inspirado na banda The Crickets ("Os Grilos"). O "a" veio depois, por idéia de Lennon, que gostou do trocadilho com beat (ritmo, batida).
Guns n'Roses
Axl Rose teve uma banda chamada Hollywood Rose até 1985, quando formou outra com o guitarrista Tracii Guns, do L.A. Guns. O nome escolhido para o novo time foi uma mistura dos dois anteriores. Tracii só serviu para batizar a banda, pois logo deixou o grupo para dar lugar ao cabeludo Slash.
AC/DC
Angus e Malcolm Young se inspiraram na máquina de costura da irmã deles, que tinha a inscrição AC/DC (corrente alternada/corrente contínua, que indica que o aparelho funciona tanto na tomada quanto com bateria). Eles não sabiam que a sigla também é uma gíria para bissexuais.
Rolling Stones
Rollin’ Stone era o nome de um blues de Muddy Waters, ídolo do guitarrista Brian Jones, que decidiu botar o nome da música (cuja letra dizia que "pedra que rola não cria musgo") na banda. O "g" veio anos depois, dada a insistência de um empresário em prol do inglês correto.
Led Zeppelin
Keith Moon, baterista do The Who, disse a Jimmy Page que a banda dele iria voar como um balão de chumbo. Daí o nome "zepelim de chumbo", lead zeppelin. Depois Page tirou o "a" para que os fãs do grupo não pronunciassem "lid" - som que lead tem quando significa liderança.
Foo Fighters
Na 2ª Guerra, os pilotos americanos freqüentemente viam bolas de fogo e objetos não identificados enquanto sobrevoavam a Europa. Eles chamaram aquelas coisas de foo fighters: foo era o jeito americano de dizer as palavras francesas feu ("fogo") ou fou ("louco").
Ramones
Pura inspiração nos Beatles. Paul McCartney usava o nome Paul Ramon para evitar a imprensa quando dava entrada em hotéis. O baixista Douglas Colvin gostou da idéia, mudou seu nome para Dee Dee Ramone e convenceu os colegas a fazer o mesmo.
Limp Bizkit
Há duas teorias não confirmadas, cada uma com um significado da palavra limp. Na primeira, ela significa "mole", e o biscoito mole seria o cérebro do vocalista Fred Durst sob efeito da maconha. Mas a palavra também significa "manco", como um cachorro de Durst que se chamava Biscuit – a outra possível inspiração.
Sex Pistols
O nome da banda punk inglesa foi idéia do seu empresário. Malcolm McLaren se inspirou na sua butique de roupas, a Sex, e pensou que ficaria legal estender a marca para o nome da banda, acrescentando a palavra "pistola" para dar uma conotação ainda mais fálica àquele sexo punk.
Legião Urbana
Depois do fim da banda Aborto Elétrico, Renato Russo começou a tocar com o baterista Marcelo Bonfá. Antes de Dado Villa-Lobos aparecer, a idéia dos dois era revezar guitarristas e tecladistas para completar a banda. Uma legião de músicos, no caso.
Os Replicantes
No filme Blade Runner (1982), replicantes eram os andróides criados como réplicas dos humanos que acabavam se revoltando contra seus criadores. História perfeita para a banda punk gaúcha, numa época em que o filme com Harrison Ford era a coisa mais modernosa do mundo.
Paralamas do Sucesso
A banda de Herbert Vianna poderia se chamar As Plantinhas da Mamãe ou As Cadeirinhas da Vovó – o grupo ensaiava na casa da avó do baixista Bi Ribeiro. Foi ele que teve a idéia de mudar para Paralamas, que todos acharam curioso e ridículo o suficiente.
Capital Inicial
O nome da banda de Brasília não tem nada a ver com a capital federal. É que, como os músicos do grupo cantavam em festas e baladas só de brincadeira, não tinham dinheiro pra começar uma carreira profissional. Ou seja, faltava o "capital inicial".
Biquíni Cavadão
Quando tocavam músicas de Kid Abelha e Paralamas do Sucesso, o grupo de estudantes adolescentes recebeu uma visita do ilustre Herbert Vianna, que comentou: "Se eu tivesse essa idade, só pensaria em mulher, carros e biquíni cavadão". Daí pegou.
Sérgio Martins
Na década de 60, o rótulo foi abreviado para rock, para abranger as mudanças provocadas por artistas como Bob Dylan e Beatles, abrindo um leque de infinitas variações: rock psicodélico, rock progressivo, folk rock, hard rock, heavy metal etc etc. A partir daí, o termo rock’n’roll passou a significar exclusivamente o estilo original, característico da década de 50.
Alan Freed, o primeiro DJ superstar da história, batizou o balanço pop.
Qual a origem dos nomes no rock?
por Tarso Araújo
BeatlesTanta gente perguntava a origem do nome para John Lennon que cada vez ele inventava uma história diferente. A mais aceita é que o primeiro nome, The Beetles ("Os Besouros"), foi inspirado na banda The Crickets ("Os Grilos"). O "a" veio depois, por idéia de Lennon, que gostou do trocadilho com beat (ritmo, batida).
Guns n'Roses
Axl Rose teve uma banda chamada Hollywood Rose até 1985, quando formou outra com o guitarrista Tracii Guns, do L.A. Guns. O nome escolhido para o novo time foi uma mistura dos dois anteriores. Tracii só serviu para batizar a banda, pois logo deixou o grupo para dar lugar ao cabeludo Slash.
AC/DC
Angus e Malcolm Young se inspiraram na máquina de costura da irmã deles, que tinha a inscrição AC/DC (corrente alternada/corrente contínua, que indica que o aparelho funciona tanto na tomada quanto com bateria). Eles não sabiam que a sigla também é uma gíria para bissexuais.
Rolling Stones
Rollin’ Stone era o nome de um blues de Muddy Waters, ídolo do guitarrista Brian Jones, que decidiu botar o nome da música (cuja letra dizia que "pedra que rola não cria musgo") na banda. O "g" veio anos depois, dada a insistência de um empresário em prol do inglês correto.
Led Zeppelin
Keith Moon, baterista do The Who, disse a Jimmy Page que a banda dele iria voar como um balão de chumbo. Daí o nome "zepelim de chumbo", lead zeppelin. Depois Page tirou o "a" para que os fãs do grupo não pronunciassem "lid" - som que lead tem quando significa liderança.
Foo Fighters
Na 2ª Guerra, os pilotos americanos freqüentemente viam bolas de fogo e objetos não identificados enquanto sobrevoavam a Europa. Eles chamaram aquelas coisas de foo fighters: foo era o jeito americano de dizer as palavras francesas feu ("fogo") ou fou ("louco").
Ramones
Pura inspiração nos Beatles. Paul McCartney usava o nome Paul Ramon para evitar a imprensa quando dava entrada em hotéis. O baixista Douglas Colvin gostou da idéia, mudou seu nome para Dee Dee Ramone e convenceu os colegas a fazer o mesmo.
Limp Bizkit
Há duas teorias não confirmadas, cada uma com um significado da palavra limp. Na primeira, ela significa "mole", e o biscoito mole seria o cérebro do vocalista Fred Durst sob efeito da maconha. Mas a palavra também significa "manco", como um cachorro de Durst que se chamava Biscuit – a outra possível inspiração.
Sex Pistols
O nome da banda punk inglesa foi idéia do seu empresário. Malcolm McLaren se inspirou na sua butique de roupas, a Sex, e pensou que ficaria legal estender a marca para o nome da banda, acrescentando a palavra "pistola" para dar uma conotação ainda mais fálica àquele sexo punk.
Legião Urbana
Depois do fim da banda Aborto Elétrico, Renato Russo começou a tocar com o baterista Marcelo Bonfá. Antes de Dado Villa-Lobos aparecer, a idéia dos dois era revezar guitarristas e tecladistas para completar a banda. Uma legião de músicos, no caso.
Os Replicantes
No filme Blade Runner (1982), replicantes eram os andróides criados como réplicas dos humanos que acabavam se revoltando contra seus criadores. História perfeita para a banda punk gaúcha, numa época em que o filme com Harrison Ford era a coisa mais modernosa do mundo.
Paralamas do Sucesso
A banda de Herbert Vianna poderia se chamar As Plantinhas da Mamãe ou As Cadeirinhas da Vovó – o grupo ensaiava na casa da avó do baixista Bi Ribeiro. Foi ele que teve a idéia de mudar para Paralamas, que todos acharam curioso e ridículo o suficiente.
Capital Inicial
O nome da banda de Brasília não tem nada a ver com a capital federal. É que, como os músicos do grupo cantavam em festas e baladas só de brincadeira, não tinham dinheiro pra começar uma carreira profissional. Ou seja, faltava o "capital inicial".
Biquíni Cavadão
Quando tocavam músicas de Kid Abelha e Paralamas do Sucesso, o grupo de estudantes adolescentes recebeu uma visita do ilustre Herbert Vianna, que comentou: "Se eu tivesse essa idade, só pensaria em mulher, carros e biquíni cavadão". Daí pegou.
Qual é a banda de rock que está há mais tempo na estrada?
por José Augusto Lemos
Os
Rolling Stones, atualmente em mais uma de suas incontáveis megaturnês
mundiais, estão fazendo 41 anos de palco. Batizada de Forty Licks Tour
("Turnê das Quarenta Lambidas"), a excursão foi iniciada no ano passado
justamente para comemorar as quatro décadas corridas desde o primeiro
show da banda, em 1962, no lendário Marquee Club, em Londres. Da
formação original, permanecem a dupla central Mick Jagger e Keith
Richards e o baterista Charlie Watts, todos sexagenários, mas ainda
capazes de empolgar as multidões que lotam estádios para vê-los em
carne e osso tocando clássicos como "Satisfaction" e "Street Fighting
Man".
Em segundo lugar, aparecem os também ingleses The Who. Liderado pelo guitarrista e compositor Pete Townshend, o grupo estreou em 1964 e se dissolveu em 1983 - mas nunca deixou de fazer reaparições esporádicas. A banda estava às vésperas de uma grande turnê pelos Estados Unidos no ano passado, quando a morte do baixista John Entwhistle provocou o cancelamento de todos os shows.
O recorde dos Stones é superado, porém, pelos irmãos australianos Robin, Barry e Maurice Gibb, que compunham os Bee Gees. Na ativa desde 1958, o grupo faria 45 anos de carreira em 2003, mas declarou seu fim após o falecimento de Maurice, no último mês de janeiro. O problema é que os Bee Gees não se encaixam em uma definição rigorosa de "banda de rock". Primeiro, porque sempre foram mais um grupo vocal, acompanhado por outros músicos. Depois, porque, alternando entre o pop romântico e o dançante (atingindo seu auge na didiscothèquescothèque dos anos 70), raramente puseram os pés no que chamamos de rock’n’roll.
Na falta de dados globais, as estimativas mundiais vêm de projeções baseadas nos números da Recording Industry Association of America (RIAA), órgão oficial da indústria fonográfica americana. Ela publica informações sobre os Estados Unidos, o maior mercado de todos, representando cerca de 30% do total do planeta. Segundo os números da RIAA, Thriller é superado em sua própria terra, há três anos, pela coletânea Their Greatest Hits: 1971-1975, do grupo Eagles, lançada originalmente em 1976. Esse álbum seria o atual campeão americano, com 28 milhões de cópias vendidas - seguido de Thriller, com 26 milhões, The Wall, 23, e Led Zeppelin IV, 22. Mas, ao contrário de Michael Jackson, o chamado folk rock dos Eagles não reproduz seu sucesso fora dos Estados Unidos - são conhecidos apenas por uma única canção, "Hotel California".
Com Eagles (pela pouca vendagem fora da América) e Thriller (por ser um disco pop) fora do páreo, o título de álbum de rock mais vendido da história fatalmente ficaria com uma das duas bandas inglesas, Pink Floyd e Led Zeppelin. Os discos de ambos os grupos continuam vendendo em toda parte, entre as gerações mais novas. Só não dá para garantir quem leva a melhor. A margem americana de apenas 1 milhão entre o quarto álbum do Zeppelin e The Wall é pequena demais, estatisticamente, para garantir a vitória de um deles.
Em segundo lugar, aparecem os também ingleses The Who. Liderado pelo guitarrista e compositor Pete Townshend, o grupo estreou em 1964 e se dissolveu em 1983 - mas nunca deixou de fazer reaparições esporádicas. A banda estava às vésperas de uma grande turnê pelos Estados Unidos no ano passado, quando a morte do baixista John Entwhistle provocou o cancelamento de todos os shows.
O recorde dos Stones é superado, porém, pelos irmãos australianos Robin, Barry e Maurice Gibb, que compunham os Bee Gees. Na ativa desde 1958, o grupo faria 45 anos de carreira em 2003, mas declarou seu fim após o falecimento de Maurice, no último mês de janeiro. O problema é que os Bee Gees não se encaixam em uma definição rigorosa de "banda de rock". Primeiro, porque sempre foram mais um grupo vocal, acompanhado por outros músicos. Depois, porque, alternando entre o pop romântico e o dançante (atingindo seu auge na didiscothèquescothèque dos anos 70), raramente puseram os pés no que chamamos de rock’n’roll.
Qual é o disco de rock mais vendido de todos os tempos?
por José Augusto Lemos
Nós apostaríamos em um empate técnico entre The Wall (1979), do Pink Floyd, e Led Zeppelin IV (1971), do Led Zeppelin, ambos na casa das 40 milhões de cópias. É impossível obter uma resposta mais precisa, porque não existe uma instituição que levante os números de venda de discos em todo o globo. O Guinness, o "livro dos recordes", aponta como álbum mais vendido de todos os tempos Thriller (1982), de Michael Jackson, com vendagem hoje calculada em 47 milhões de cópias. Mas ninguém classificaria esse disco na categoria rock.Na falta de dados globais, as estimativas mundiais vêm de projeções baseadas nos números da Recording Industry Association of America (RIAA), órgão oficial da indústria fonográfica americana. Ela publica informações sobre os Estados Unidos, o maior mercado de todos, representando cerca de 30% do total do planeta. Segundo os números da RIAA, Thriller é superado em sua própria terra, há três anos, pela coletânea Their Greatest Hits: 1971-1975, do grupo Eagles, lançada originalmente em 1976. Esse álbum seria o atual campeão americano, com 28 milhões de cópias vendidas - seguido de Thriller, com 26 milhões, The Wall, 23, e Led Zeppelin IV, 22. Mas, ao contrário de Michael Jackson, o chamado folk rock dos Eagles não reproduz seu sucesso fora dos Estados Unidos - são conhecidos apenas por uma única canção, "Hotel California".
Com Eagles (pela pouca vendagem fora da América) e Thriller (por ser um disco pop) fora do páreo, o título de álbum de rock mais vendido da história fatalmente ficaria com uma das duas bandas inglesas, Pink Floyd e Led Zeppelin. Os discos de ambos os grupos continuam vendendo em toda parte, entre as gerações mais novas. Só não dá para garantir quem leva a melhor. A margem americana de apenas 1 milhão entre o quarto álbum do Zeppelin e The Wall é pequena demais, estatisticamente, para garantir a vitória de um deles.
O NOVO ROCK
Para entender o novo rock
As raízes musicais e as ambições
dos
grupos mais badalados da atualidade
grupos mais badalados da atualidade
Sérgio Martins
A banda americana The Strokes
é uma das atrações internacionais mais aguardadas
do calendário de shows no Brasil este ano. Em outubro, ela
fará apresentações em São Paulo, Rio
de Janeiro e Porto Alegre. Formado em Nova York no fim dos anos
90, o Strokes é a cara de uma tendência em alta: o
novo rock de garagem. São bandas que, assim como fizeram
Nirvana e companhia nos anos 90, recuperam aquele espírito
meio transgressor e despojado que de tempos em tempos emerge na
cena roqueira. Depois de um período de predomínio
do pop e da música eletrônica, elas recolocaram as
guitarras na ordem do dia. Ao lado do Strokes, o grupo mais bem-sucedido
do ramo é o White Stripes, dupla de Detroit que recentemente
divulgou seu novo disco no Brasil, numa passagem ruidosa pela Amazônia.
Lançado em junho, o CD Get Behind Me Satan entrou
direto no terceiro lugar das paradas americanas. O novo rock tem
outros expoentes. De tão caipira, o Kings of Leon é
uma banda que quase faz "rock de celeiro". Mas seus quatro integrantes,
todos da mesma família, saíram do interior americano
para tornar-se a banda de abertura de uma turnê do U2. Também
novatos, os Killers, de Las Vegas, venderam 2 milhões de
cópias de seu álbum de estréia – tanto
quanto Mariah Carey obteve com seu último trabalho. A tendência
é engrossada ainda pelos americanos Bravery, Interpol e Yeah
Yeah Yeahs, pelo escocês Franz Ferdinand e pelo anglo-americano
The Kills – que, aliás, também deverá
se apresentar em São Paulo, no começo de agosto.
Se há uma diferença
entre os roqueiros de garagem atuais e seus congêneres do
passado, é que se trata de uma geração que
já chega à cena sem ingenuidade. Os artistas primam
pela autoconsciência – musical e comercial. Nenhum deles
tem a pretensão de reinventar o rock do zero. Pelo contrário:
são bandas com evidente apelo retrô, embora muitas
prefiram a morte a confessar suas fontes de inspiração
(veja
quadro). Algumas – as melhores, obviamente –
fazem releituras fortes da "tradição". É o
caso do White Stripes, que bebe do blues e da música country
de maneira excêntrica: os arranjos são minimalistas,
despidos de outros instrumentos que não bateria e a guitarra
pesada de Jack White. Outros grupos – em especial aqueles que
se apegam à herança dos anos 80 – lidam pior
com a angústia da influência. O Interpol é cópia
escarrada dos ingleses do Joy Division. Entre o Bravery e o Killers,
o páreo da falta de originalidade é duro – mas
esse último pelo menos tem o mérito de ter feito sua
xerox do The Cure antes do concorrente.
Não é só
na música que se nota a falta de inocência das novas
bandas de garagem. Todas têm uma clara noção
de como o rock se mistura com a moda, por exemplo. O Franz Ferdinand
e o Strokes são casos emblemáticos. Os primeiros sobem
ao palco com ternos de corte imaculado, e os segundos são
mauricinhos que usam roupas cuidadosamente desarrumadas. Àqueles
que por acaso falte o necessário senso de estilo, as gravadoras
o providenciam. Como observou o crítico musical Alexis Petridis,
do jornal inglês The Guardian, qualquer banda de rock
de hoje em dia passa pela mesma preparação de uma
boy band – os grupelhos fabricados pelas gravadoras
para fisgar as adolescentes. Os artistas contam com consultores
de imagem e aprendem a se portar nas entrevistas. Os matutos do
Kings of Leon, por exemplo, deixaram para trás recentemente
o visual ensebado e passaram a usar calças justíssimas
e cabelos escovados. Até editoriais de moda já andaram
fazendo.
Esse jogo com o marketing é
calculado – mas tem seus perigos. É legítimo
especular sobre a persistência dessas bandas, talentosas na
maioria dos casos, mas que se entregam de boa vontade aos caprichos
de uma indústria musical afeita, por sua própria natureza,
a buscar uma novidade a cada dez minutos. Grupos como o White Stripes
e o The Kills dão mostras de ter fôlego, mas não
seria surpresa se o Bravery ou o The Killers sucumbissem na próxima
estação.
É curioso traçar
um paralelo entre o fã do novo rock e o pessoal que cultuava
as bandas "descoladas" de períodos como os anos 80. Naquela
época, não havia um canal como a MTV nem internet
e era complicado importar discos. Por isso, ouvir esse tipo de música
exigia garimpagem – os fãs extraíam prazer da
sensação de pertencer à "elite" que tinha acesso
a esses artistas. Hoje, tudo ficou mais fácil. No fundo,
porém, a motivação é a mesma. Uma parcela
dos apreciadores dessas bandas, aliás, é de trintões
que viveram os anos 80 e encontram nas influências nostálgicas
dos novos roqueiros uma forma de resgatar a adolescência perdida.
Mas os adolescentes de hoje também buscam nelas o mesmo tipo
de consolo: a ilusão de pertencer a um grupo especial de
pessoas, que só ouve rock "esclarecido". Nem que seja feito
em laboratório.
BANDAS QUE NASCEM E MORREM COM RAPIDEZ
Cinco anos atrás, anunciou-se
que o grupo americano The Strokes seria a salvação do rock. A festa
durou pouco: antes de chegarem ao terceiro disco, eles já são considerados
veteranos, tão distantes na linha do tempo quanto, digamos, os Ramones.
Há menos de dois anos, os escoceses do Franz Ferdinand, inspirados pelo
Strokes, se tornaram a bola da vez. Para o público que primeiro os consagrou,
entretanto, eles já soam ultrapassados. Alguns meses atrás, esse
pessoal decidiu trocá-los pelo Arctic Monkeys. A banda inglesa virou mania
entre os freqüentadores do site MySpace, que rapidamente a promoveram à
condição de fenômeno. Assim que a indústria fonográfica
e as rádios convencionais encamparam o Arctic Monkeys, porém, sua
popularidade evaporou, num processo que consumiu não mais do que um semestre.
Podem-se tirar duas lições daí. A primeira é que o
novo som de garagem inaugurado pelo Strokes parece estar perto de se esgotar.
Ou seja, o rock morreu – de novo. Presume-se que renascerá em breve,
embora sua próxima roupagem ainda seja desconhecida. A segunda lição
é bem mais curiosa: à medida que cresce o poder da internet para
coroar e depor reis do rock, diminui o poder da indústria fonográfica
para fabricá-los, e mais se acelera o ciclo de nascimento, vida e morte
de uma banda de rock. Como em tudo o mais, as preferências musicais do público
que já nasceu na rede são efêmeras: mal o pessoal se entusiasma
com um brinquedo, já se cansa dele e o descarta. E, para quem se dispuser
a olhar esse quadro com mais atenção, ele contém ainda uma
terceira e mais momentosa lição: trilha sonora indisputável
do século XX, o rock chega ao século XXI na condição
embaraçosa de apenas mais um entre muitos dos fundos musicais possíveis
para a vida de um jovem ou de um adolescente.
O flanco mais vulnerável do rock, claro, é o do comportamento que
se costumava associar a ele. Desde seu surgimento, no início dos anos 50,
o primeiro mandamento do gênero foi provocar o máximo de desconforto
nos mais velhos. Todos os seus ícones o cumpriram à risca: Elvis
Presley com seu rebolado, os Rolling Stones com seu deboche, os Beatles com seu
esoterismo, o The Who com suas atitudes destrutivas (que contemplavam inclusive
o equipamento da banda), o Led Zeppelin com sua malícia. Mas como alguém
pode se valer do rock para chocar pais que foram, eles próprios, roqueiros?
A resposta é que não pode. Para atingir esse objetivo, hoje, existem
ferramentas mais eficazes. Por exemplo, o batidão das raves, que irrita
os remanescentes dos anos 60 com seu chamado à alienação.
Ou o rap, que os preocupa com sua insolência, seu machismo e sua apologia
da violência. Já cantar Whole Lotta Love imitando a lascívia
de Robert Plant é capaz de, no máximo, despertar uma certa ternura
nostálgica em papai e mamãe.
O assédio decisivo ao rock, porém, veio do mesmo instrumento que
lhe deu origem – a tecnologia. Mais especificamente, de sua popularização.
O momento está registrado com precisão no filme A Festa Nunca
Termina, sobre a revolução que se operou a partir da cidade
inglesa de Manchester, na virada da década de 70 para a de 80, com o nascimento
de bandas eletrônicas como Joy Division e sua sucessora, o New Order. Durante
uma festa no clube Hacienda, que serviu de sede ao fenômeno, o empresário
Tony Wilson se vira para a câmera e alerta o espectador para um fato inédito:
a multidão não está aplaudindo a banda, e sim o DJ. Em outras
palavras, não a música, mas o meio. Aí começava a
morte do riff de guitarra e o nascimento da batida. O "saber tocar", segundo mandamento
do rock (que o punk e o grunge, liderado pelo Nirvana, já tinham como bandeira
transgredir), simplesmente deixou de fazer sentido.
O terceiro golpe contra o rock está em pleno curso, graças a uma
arma minúscula e poderosíssima – o tocador de MP3. A cada iPod
vendido no mundo, tira-se mais uma lasca da fundação sobre a qual
o gênero se construiu a partir dos anos 60: o "conceito", expresso em álbuns
elaborados para conter novas propostas musicais ou temáticas. O consumidor
abaixo dos 30 anos compra cada vez menos CDs, e cada vez mais baixa suas faixas
preferidas do computador. Sem esse suporte físico, já não
é possível ao artista determinar como suas criações
serão ouvidas; o ouvinte agora é que manda no tal "conceito", ou
na absoluta falta dele, conforme lhe convenha. Não é exatamente
um ambiente propício para que despontem novas lideranças na música
– e a prova vem da velocidade crescente com que megassucessos como Strokes,
White Stripes ou Franz Ferdinand são desbancados pelos similares a que
eles mesmos dão origem. Se você está com o rock e não
abre, portanto, só há uma conclusão possível: um trintão
mora na sua alma.
EMOCORE!?
Música punk e letras que parecem
saídas de um CD de Roberto Carlos?
Isso é emocore
saídas de um CD de Roberto Carlos?
Isso é emocore
Sérgio
Martins
Paulo Vitale![]() |
| CPM 22: o grupo paulistano vendeu mais de 300 000 discos com a receita do "emo" |
A
gritaria do punk rock sempre girou em torno de questões políticas.
Nos últimos anos, contudo, uma nova vertente do gênero surgiu
para demonstrar que os brutos musicais também amam. Ela se chama
emocore e casa letras emotivas com o barulho do hardcore –
daí o seu nome. Odes à mulher amada, reflexões
adolescentes sobre a solidão, lamentos pela paixão perdida:
são esses os assuntos prediletos dos grupos de "emo" – na
abreviação usada pelos fãs. Nos Estados Unidos, bandas
como Jimmy Eat World estão chegando ao topo das paradas com essa
receita. No Brasil, o mais popular representante do movimento emo é
o CPM 22, que já vendeu 300.000 discos. "Juntamos o punk e o romantismo
do Roberto Carlos e criamos o robertocore, uma versão nacional
do emo", diz Wally, o guitarrista do grupo.
O emocore surgiu no início dos anos 90. Algumas bandas de hardcore
decidiram encaixar canções mais leves em seu repertório,
para arrefecer o ânimo dos fãs que, atiçados pelas
letras violentas, transformavam seus shows em verdadeiros campos de batalha.
Aos poucos, foi ficando claro que falar de amor era um bom negócio,
até que há dois anos o emo explodiu entre os adolescentes
americanos. Os principais grupos de lá são o Jimmy Eat World,
que tem servido até como fundo musical para festas de casamento
descoladas, e o Dashboard Confessional. Este último, liderado pelo
cantor Chris Carraba, bateu os maiores astros da música pop americana
no último Video Music Awards, da MTV, com a música Screaming
Infidelities.
Divulgação![]() |
| Jimmy Eat World: até em festa de casamento |
Fonte das matérias: http://www.abril.com.br/dia_mundial_rock/




1 comentários:
Que post imeeenso! Haha mas ficou legal.
Curti a parada dos nomes... nem sabia de alguns.
Parabéns Cesinha!!
Beijos.
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