1 – Quando começou a se interessar por fotografia? O que te levou a seguir essa profissão?
Mel : Quando eu tinha 11 anos, minha mãe me levou pra uma viagem incrível, rodamos 28 dias em várias cidades do Brasil, Paraguai e Bolívia. E no Pantanal, foi onde fiz mais fotos com a câmera dela. Saí de lá dizendo que ia ser fotógrafa da National Geografic quando crescesse. (risos) Meio nerd hein? E sempre adorei meios de comunicação, rádio, revistas. Só nunca fui muito fã de TV, que une imagem ao áudio. Sempre achei linda a mensagem que uma única imagem ou só o áudio que o Rádio traz com a imaginação que desperta. Rádio e câmera velhos em casa viravam brinquedo na certa, eram duas paixões que me confundiam, queria fazer os dois. Acabei entrando na faculdade de Jornalismo, onde estudei 1 ano de laboratório de fotografia (e foi minha menor nota do curso todo, porque eu odiava revelar (risos), daí lá, como eu trabalhava com música, comecei a trabalhar em Rádio, e em época de faculdade, o que aparece a gente acaba abraçando e crescendo ali. Amei fazer isso por muito tempo, mas larguei porque cansei do cubículo do estúdio, queria mais liberdade. Eu tinha um programa diário numa rádio que pegava toda capital do Espírito Santo, Vitória, e um dia cheguei na Rádio, olhei para o diretor e falei “me demite, quero viajar, e fazer fotos” “mas vai abandonar assim a rádio, a música?” “rádio, sim, música, jamais. Mas precisamos de um tempo!” (risos) E aqui estou.
2 – Há quanto tempo já está no ramo?
Mel : Esse meu “surto” aconteceu em 2004. Eu trabalhei até num colegiado de Biologia, e fiz um projeto chamado “Beira de Estrada”. Fiz um blog de comunicação e ciência, e falava de coisas do gênero, escrevia e postava minhas fotos. Fiz muitas fotos em viagens a lugares como Regências (ES) no Projeto Tamar, Itaúnas, lugares diferentes onde existia o contato com a natureza. Sabe aqueles “5 minutos” em que cansamos do que fazemos por anos seguidos? Ainda fazia viagens pra Rio, São Paulo, Minas, com trabalhos de produção musical. E nessa resolvi mudar de vez pra São Paulo, pra onde eu vinha todo ano por causa da minha família, mas chegando aqui, resolvi voltar a estudar e dar uma parada. Fui fazer pós, e quando terminei, retomei a correria com fotografia de shows. Dessa vez, não parei mais. O primeiro foi em 2006, Luxúria, no Play Center, com uma câmera semi profissional de filme, não foi fácil, mas de primeira já peguei o jeito, andava pra cima e pra baixo, queria pegar de todos os ângulos, até da torre do PA. Ali já vi que faria direto. É muito bom fazer vários tipos de banda, mas o melhor mesmo é quando pega bandas do estilo que gosta, e eu sempre gostei de barulho, né. Eu me dei bem logo de começo, comecei a trabalhar fotografando em agência, também trabalhei como Fotojornalista, na área de Meio Ambiente, e paralelo a isso, fazia shows, promos (promotional photos) baladas, festivais, sempre música.
Hoje continuo com shows direto, e trabalho numa agência de comunicação fotografando em estúdio, produtos, onde tenho liberdade pra adaptar aos estudos que faço nas fotos promocionais, e por isso, tem gente da área de música buscando a agência.
3 – Qual é a maior dificuldade e o maior prazer em atuar nessa área?
Mel : Hum, dificuldade, primeiro é o preço dos equipamentos. No Brasil é muito caro comprar lentes e qualquer pequeno equipamento, cards, baterias sobressalentes. E o preço do serviço é de alto custo porque seu trabalho é específico, requer estudo, e no mercado há uma concorrência grande. Mas de preço e qualidade, é de um grupo seleto. Eu sempre fui meio preguiçosa, apesar de adorar estudar, e tenho que estudar um tutorial todos os dias, ler sobre fotografia fora do Brasil, sempre saber de tendências pra não ficar pra trás. No caso de shows, a dificuldade é que a galera reclama demais dos preços, choram muito, e pedem mil coisas! (risos) Músico está sempre duro, nosso meio não é fácil, mas produzir, fotografar, tratar e editar, é osso, e custa muito caro se for procurar um estúdio tradicional. Criou-se um valor padrão pras bandas poderem ser atendidas por fotógrafos que se dedicam a isso, e ainda reclamam. Essa é uma das dificuldades, muita pechincha. O bom é que, na maioria das vezes, quando pagam reclamando do preço, na hora de receber as fotos dizem que valeu o preço, por todo trabalho, processo e resultado. E muito fotógrafo novo que tem ainda mais preguiça de estudar do que eu, faz pose de profissional, e cobra como profissional, ou “prostitui” o mercado (isso é expressão de “marketeiro” tá). Isso gera competitividade no mercado, não atrapalha tanto quando temos um trabalho de qualidade, mas ainda assim atrapalha. Mas cada um pega o serviço que bem entende. Os fotógrafos entendem o que digo. Não estou, longe de mim, falando de nenhum em específico, estou generalizando a leva de trabalho barato e ruim, é cara de pau mesmo. Isso acontece em todas as áreas.A parte prazerosa, sem dúvidas, é o reconhecimento. Fotografia é arte, todo fotógrafo acaba tendo um olhar artístico quando fotografa arte. Fotografia de shows é uma metalinguagem, arte da arte, é mostrar para o público que não pôde comparecer a vibração intensa que existiu no palco, e pra quem foi um registro de um dia de diversão com a banda que admira, que marca seus momentos, não só no seu mp3 ouvindo no caminho para o trabalho, mas nas imagens nos sites e revistas, imagens que talvez, lá debaixo do palco, ou porque estava distraído, não dava pra ver.
4 – Pra você o que é necessário para que saia uma boa fotografia? E o que você procura transmitir em suas fotos?
Mel : É necessário dedicação, atenção total no palco e no show, e de preferência que você conheça bem a banda que está fotografando. Se não, que tente entrar na mesma vibração, como se seu instrumento de trabalho, a câmera, fosse parte da banda, do contexto, e não pode desafinar. Você está ali pra estudar o show, trabalhar, e não curtir o evento, então durante a apresentação, foco total. É legal estar com a câmera a todo tempo a postos na frente do rosto, mas o ideal é você ficar prestando atenção num todo, olhando em volta, estudando ângulos possíveis, e acompanhar fielmente os movimentos dos músicos, sem tirar o olho, e clicar. Acho que falei bem o que procuro transmitir na resposta anterior, a energia que o som passava, só com imagem.
5 – Você fotografa altas bandas do cenário underground, pra você como é estar no meio dessa galera e como você vê a cena nos dias de hoje?
Mel : Estar no meio de quem faz seu trabalho de forma competente e ter meu trabalho reconhecido por eles é muito gratificante, fico feliz de poder contribuir pra divulgação do trabalho de bandas que admiro, e que tem um público fiel, que guarda essas fotos consigo, com tanto carinho, e acabam tendo o mesmo carinho por mim e por meu trabalho. Lógico que quando acontece o fato de fotografar uma banda respeitada internacionalmente, como Strike Anywhere , Emery, entre outras, a gente se sente bem, ainda mais com um bom resultado, e quando as bandas gringas gostam, e divulgam lá fora, isso é foda! A última banda que fiz foi a Eyes Set to Kill, na semana passada, quase toda tour. Eles viram todas as fotos do primeiro fim de semana, inclusive as não boas, que estavam no meu micro, o que eu temo em mostrar pra qualquer banda, e pediram todas, adoraram o trabalho, estão divulgando pra outras bandas do circuito gringo, e no myspace deles, isso me deixou muito feliz. Sem contar que eles são adoráveis. Antes fiz Morbid Angel, uma das mais respeitadas bandas de death metal das antigas, fiquei tensa naquele palco, e a casa absurdamente lotada, e mais nenhum outro fotógrafo no palco ao mesmo tempo, então bate aquela responsa, e vocês está sendo mirada por milhares de cabeças, e pelos músicos que restringiram o espaço pra equipes. Mas no fim deu tudo certo. E o Story of the Year, que foi um puta show lindo, rendeu fotos interessantes, e um contato bem legal, os caras são super sossegados, e eu pude fotografar das beiradas do palco, numa boa, do lado deles sem restrições.
Mas a alegria é a mesma de quando faço fotos legais de bandas locais como Drive in, Rock Rocket, Envydust, Galo Darve, Rancore, bandas que tem um som muito apurado, fazem “barulho bem feito”! É muito bom registrar imagem de quem manda ver nos palcos de verdade, nem dá vontade de colocar o protetor auricular. Já fiz fotos de bandas fora do circuito também, como o Ultraje a Rigor, uma banda madura, que exige responsabilidade pra clicar. Já fotografei ensaios também de outras bandas maiores no estúdio que eu trabalhava, em cima de um estúdio de ensaio, enfim, estar no meio dessa galera, é sempre uma diversão garantida.
Bom, vejo uma cena respeitada por um público mais diverso. O espaço que antes era dado só ao main stream, agora é invadido por bandas mais alternativas, e o público menos segmentado. Chegamos ao ponto em que existe uma linha tênue entre o comercial e o alternativo, a qualidade aumentou (mas pode melhorar muito ainda!) O bom é ver que não só vende quem agrada à “massa”. E as gravadoras agora é que vão atrás das novas bandas do underground, e essas, por sua vez, podem debater o contrato que exigirem, não mais tem que dizer amém pra tudo que gravadora fala.
Antes, parecia ser o final feliz, e muitas iam parar na geladeira. Hoje vejo bandas que vi nascer, como as minhas conterrâneas Dead Fish e o Mukeka, passando na MTV, isso me emocionou na primeira vez que vi há milianos atrás. Eu desacreditei, pensei “eles conseguiram, ultrapassaram a barreira de um preconceito musical”. E quando essas bandas crescem, a staff cresce junto, o reconhecimento segue atrelado, e hoje fotografia é ainda mais requerida por banda e público, conseqüentemente, mídia, então isso é bom pros fotógrafos também!
6 – O equipamento e estudo são fundamentais para que se tenha um bom reconhecimento no trabalho de um fotógrafo, qual equipamento que você costuma usar? Tem alguma preferência?
Mel : Equipamento é fundamental, porque você coloca em prática o que tem em mente, e às vezes um equipamento mais simples limita o fotógrafo que tem mais idéias. Mas um bom fotógrafo sabe se virar com o que tem. Muita gente diz que basta ter um equipamento muito bom que qualquer um faz fotos boas. Pra quem trabalha com isso, sabe que não é bem assim. Certo que existem fotógrafos com bom equipamento, mas que precisam de muitos cliques pra filtrar poucos. No ritmo do nosso trabalho, são poucas oportunidades de fazer “a foto”, no momento do músico pular, rodar, fazer seus movimentos, pegar a imagem da galera, enfim. Se você vir a maioria das fotos de um bom fotógrafo, você entende isso, de um amador sem criatividade, na maioria você também vê isso. Não é, definitivamente, o equipamento que faz o fotógrafo.
Quer exemplo? Olha as fotos que o César Ovalle fez com um XTI? Fodas! Eu tenho essa câmera, e apanhei muito pra fazer fotos de show com ela, e as que você vê, são todas com ela. Tem muita gente que me pergunta se usei uma lente específica, pra tais fotos que ficaram interessantes, quando usei a lente 18-55mm, acertei a luz e o momento, e tratei adequadamente. Eu uso o equipamento que tenho (risos) Estou brincando muito com a cinqüentinha (50mm f1/8) ultimamente, às vezes pego umas semi tele de amigos, trocamos, nem ligo, e em estúdio uso dois flashs 400w Atek, e sempre alguma luz fixa, que são meus também. Trabalho em um estúdio montado com fundo infinito, onde dá pra fazer muita coisa, mas gosto mesmo é de fazer foto na raça, externa, em shows, tenho um flash simples, 380 EX, que evito usar, detesto foto com flash. Só quando necessário mesmo. É, tem que estudar muita iluminação. Muito, e no meu caso, estudo muito tratamento também. Como eu disse, quero acompanhar as novidades, mas quero ir criando uma identidade minha nos tratamentos. Penso em substituir o equipamento (o corpo da câmera) no meio do ano, dois anos com a mesma câmera já está de bom tamanho!
7 – Com o crescimento do cenário atual, vêm surgindo a cada dia mais bandas, mais fotógrafos e tudo mais, o que pensa em relação e qual dica você manda pra quem esta começando e pensando em seguir essa profissão?
Mel : Como em qualquer profissão, estude, mas estude muito. Leia tudo o que puder sobre. Eu já falei que estudo, mas tenho preguiça. (risos) Eu poderia até saber bem mais, o problema é tempo pra estudar, e quando dá tempo, o corpo só pede cama. Mas o que me deixa satisfeita é quando vejo que estudei mesmo, e aprendi coisas importantes pra qualidade do trabalho. E é preciso muita prática, ninguém aprende a cozinhar só lendo livro de receitas, tem que colocar a mão na massa, encarar o público na frente do palco, não pode ter frescura. A não ser que queria fotografar os shows da Maria Rita, aí é tranqüilo. (risos) E, antes de tudo, lembre-se que você tem limites, e seu espaço termina onde começa o do outro, então, essa besteira de olhar o fotógrafo que está do seu lado como “rival” é coisa de quem não se garante, gente insegura, blazé, não aja assim. Falo isso porque vejo muito isso acontecer. O legal é revezar espaço, trocar idéia, às vezes até trocar equipos como lentes, cards, quando fotógrafos conhecidos ou amigos, ou não, se foi com a cara, legal. E trocar dicas, enfim, se unir. Sozinho, só eremita sobrevive.
8 – Acha que o trabalho do fotografo esta sendo mais valorizado nos dias atuais?
Mel : Acho que sim, trabalho de fotógrafo tem um valor elevado no mercado. E entre bandas, ganhou até um status, tem um valor equiparado aos da banda e suas equipes. É mesmo um membro da equipe, afinal, show sem registro não tem graça! E a maioria do público do underground é blogueiro, fotologueiro, essas coisas. Estão fulltime conectados à rede, e às novidades do mundo musical, tanto aqui como fora do Brasil. Assim a imagem das bandas circulam num espaço maior na rede. Todo mundo quer ver a cara de quem faz o som que tanto gostam de ouvir.
9 – O fato de ser mulher implica em alguma dificuldade no trabalho de fotografia de bandas, ou realmente não tem nenhuma diferença?
Mel : Olha, boa pergunta... Se eu disser que não implica em nenhuma diferença, estarei mentindo, e as outras mulheres sabem disso. Quanto ao resultado das fotos, não tem diferença, ao menos eu me garanto, sem firulas. Eu entro no meio da galera na frente do palco, fico do lado de roda, subo e desço do palco, não estou nem aí. Agora o que pega é a atitude até um tanto quanto machista de alguns homens que trabalham no meio. A gente tem que manter uma postura firme quando está ali, porque muitas vezes os próprios músicos confundem você com outras meninas perdidas no backstage, e acham que está disponível para ouvir alguma gracinha, já vi isso acontecer com outras meninas e comigo. Mas eu não dou espaço, e até dizem que sou brava às vezes. Bom, que pensem o que quiserem, desde que não interfiram no meu trabalho, não to ali pra paparicar músico, e nem faço pose de fotógrafa pra conseguir credencial pra entrar em backstage. Pelo contrário, faço fotos de backstage sempre com a banda que trampo e eles adoram, faço o show, e depois só quero ir pra casa tratar as fotos e capotar. Falo isso porque já vi muito produtor tratar mulher como se fosse mais uma gropie ali, mesma as que estão trabalhando hard. E muitos quebram a cara no fim das contas.
Em dezembro do ano passado, fui fotografar em uma casa de show de São Paulo, onde fotografei várias vezes, e um produtor local já havia me visto inúmeras vezes por lá. Cheguei dessa vez lá depois da banda, que havia deixado meu nome na lista da equipe da banda, com direito à pulseira do backstage, pra ir até o camarim fotografar como sempre faço. Ele se negou a dar pulseira, alegando que eu poderia tirar fotos só da frente do palco, e que se desse pulseira pra mim, teria que dar pras “outras meninas” que estavam com a banda... aquilo me ofendeu, confesso. Engoli seco e disse gentilmente que estava ali pra trabalhar, fazer minhas fotos e ir embora “e nada além”... e isso incluía as fotos do backstage. Ele fez uma cara de “não sei...” e eu cansei e disse “falou, valeu”, e entrei sem pulseira mesmo, nem queria perder tempo, ou correr o risco de falar uma verdade. (risos) Nessas horas o sangue ferve mesmo. Minhas amigas que trabalham em veículo de música e com bandas, tanto fotógrafas quanto resenhistas, ficaram indignadas. Fiquei meses sem ir lá, só fui depois chegando com a banda, e pegando a pulseira junto com a equipe. Não pela pulseira, mas pra não passar aborrecimento com a falta de respeito com a Imprensa, já que não fui a única que passou por isso. E por incrível que pareça, eu quase não tive problema nenhum até então, porque convivendo no meio de homens, a gente fica meio moleque, brinca com eles, e somos bem tratadas, até mimadas muitas vezes, o que até ajuda no trabalho no meio de um monte de “cueca”. Ainda há quem diga que prefere não trabalhar com mulher no role banda, mas acho isso falta de tato, de jogo de cintura. Tem mulher despreparada como tem homem despreparado. E tem mulher que dá olé em muito marmanjo. Quem tem que se preocupar em definir “gênero” é professor de português.
9 – Tem algum fotógrafo em que você se inspire ou algo do tipo?
Mel : Ah, tem fotógrafos que eu admiro demais, que dá gosto de ficar olhando suas fotos, entender como trabalham, conhecer seus métodos. Não tenho apenas um, pois cada um tem seu estilo, mas vou citar os que mais gosto. O Dave Hill é incrível, mas já virou moda demais! O trabalho dele é realista, mas às vezes me canso de olhar as fotos dele, por seguir um padrão que não muda, mas é o estilo dele, tanto que o modo de tratar ganhou o nome dele, “Dave Hill efect”. Adoro o Paul Zollo, ele fotografa só pérolas do rock mundial. Vivo deixando mensagem nas fotos do flickr dele, e só dele ter me adicionado no meu flickr, eu já fiquei rindo sozinha, sou fã mesmo. (risos) O Joey Lawrence é o que mais se aproxima do que eu gostaria de ter como trabalho. Ele é versátil, e transforma qualquer imagem em um espetáculo. Mas não por tratamentos sofisticados, pelo olhar dele, pura e simplesmente pelo olhar. E ele é muito novo, deve agora ter uns 20 anos, começou garotinho, e já quebra as pernas de muito fotógrafo com mais tempo de estrada. Agora, de bandas exclusivamente, e acho que é onde grande parte dos fotógrafos de banda gostariam de chegar (pelo menos eu), é o Tim Harmon, as capas que ele faz pra Alternative Press me dão arrepio, juro que vou abraçar esse cara quando vê-lo na minha frente! (risos) Quero ter essa oportunidade em breve.
Ah, lógico também curto os trabalhos dos locais e amigos, Orelha, Luringa, Tux . Sem demagogia nenhuma, só falo do que eu gosto mesmo. O Orelha se destacou muito rápido, ele tem um olhar apurado, sabe usar bem o equipamento que tem em mãos, faz um trabalho de qualidade, gosto dos enquadramentos de shows. O Luringa fotografou a minha banda, e quando chegou, falou que não tava tão habituado aos flashs que eu tinha no meu estúdio. Meu, ele pegou o esquema em minutos, e fez umas fotos que eu amei, eu vi ali na hora o trabalho cru mesmo, vi que ele sabe o que está fazendo. E curto muito as de shows também. Então quando algum modinha vem falar “ah, eu não gosto das fotos do Luringa”, eu acho que é porque não conhece o trabalho dele direito, viu algumas fotos. Tem aquelas com fish eye que enche o saco (risos) mas elas escondem o que ele sabe fazer na raça. Gosto mesmo. O Tux tem algo peculiar nas fotos. A primeira vez que vi o trabalho dele no ano retrasado, eu parei tudo o que estava fazendo no micro e olhei uma por uma no flickr. Fiquei encantada com as cores. Sinto que o estilo dele mudou um pouco, e confesso que sou apegada ao estilo de quando conheci, mas ele continua técnico, certeiro, e suas fotos tão bem coloridas, com efeitos interessantes.
10 – Pra você, qual foi a melhor foto tirada por você até hoje, existe alguma banda, pessoa, artista ou lugares que gostaria de fotografar e ainda não teve a oportunidade?
Mel : Putz.... melhor foto, difícil escolher uma, gosto de muitas por um tempo, depois gosto mais de outras, a gente sempre vai melhorando. Mas tem uma que curto muito, foi num momento peculiar, num show do Granada. O Yuri cuspiu pra cima, e depois que a água caiu é que cliquei, e parece chuva. Sei que tecnicamente tem alguns erros, ele andou e ficou mais pra frente, mas nem ligo, tenho satisfação por ter obtido aquele resultado. Olha aí: http://www.flickr.com/photos/melnader/2851740242/ Pode não ser a melhor, mas é uma interessante que me lembro agora. Faz tempo, um ano ou mais, não lembro, fiz muitas outras que acho incríveis antes e depois dessa, mas como essa foi muito lembrada por outras pessoas, então vai essa, tenho carinho por ela também. Ah, o japonês curtiu, então é o que vale! (risos)
Ah, existe sim, várias bandas. Desde Rise Against, Flyleaf, Parkway Drive (eu disse que gostava de barulho (risos), até o America ou um Beatle, mas esses já acho que fica mais difícil. (risos) O Paul Zollo fotografou eles há pouco tempo, e eu pirei vendo as fotos. Ringo Star de cabelos grisalhos, uma lenda na maturidade! Mas queria fotografá-los fora do Brasil, em seus países de origem. Eu gosto dessa frase, “ainda não teve oportunidade”. Ainda não.
11 – Têm alguma preferência em relação a lugares, casas de shows etc para a realização de seu trabalho?
Mel : Ah, tem umas casas em São Paulo que tem uma iluminação interessante, como Santana Hall, Hangar 110, e Estação 50 em Osasco. Os shows do Inferno Club tem um som ótimo, mas pecam na iluminação, não gosto de fotografar lá. Planet Music no Rio, também não. A alegria lá é nota dez, o público é sempre muito animado, mas não tem luz pra fotografar, só no flash mesmo, e o palco é pequeno, não dá pra fazer muitas perspectivas diferentes, senão a luz não chega. Ficaria feliz se essas casas que são tão bacanas de ir pudessem iluminar mais seus artistas! =)
Lugares, bom, o Estúdio C4 tem um fundo infinito enorme, que dá pra fazer mil coisas interessantes, o pé direito é alto, é o estúdio sonho de consumo de qualquer fotógrafo! (risos) Eu fiz fotos lá, mas trabalhando numa agência agora, infelizmente não fotografo mais lá, só no estúdio que montei na agência (www.br2design.com), que tem o teto mais baixo, mas é ótimo também, me sinto confortável ali pra fazer qualquer trabalho. Também tem o Parque da Aclimação, onde até fiz o ensaio do Terceira Edição. Já fotografei dezenas de patos lá! (risos) E fiquei muito triste com o acidente com o duto, que sugou o lago e grande parte dos animais que estavam na água. Fica perto da minha casa, e eu me senti como se tivesse perdido um bicho de estimação meu, e tenho aquilo tudo o que tinha registrado em fotos. Sãos os lugares que me lembrei de imediato agora, mas tem vários outros.
12 – Atualmente você fechou parceria com uma marca de roupas, e também tem parcerias com bandas e tudo mais, qual a importância dessas parcerias?
Mel : Com parceria há sempre uma contrapartida, uma troca interessante pras partes. Divulgação é a principal delas. Eu divulgo a loja Oca do Surf, e eles me divulgam, e me vestem com marcas muito boas e de estilo que combina mesmo com o meu. Assim, quem curtir, já sabe onde comprar. Eles querem pessoas com nosso estilo, e querem entrar no meio dessa galera de bandas também, que tem como público alvo ainda. Com as bandas, mesma coisa, é trabalho, você é pago pra ir fazer seu trabalho, mas a banda te divulga, divulga seu nome, seu job, sua “marca”. E você divulga o show da banda quando divulga essas fotos em seu portfólio. Quando a banda fala dela, é uma coisa, mas quando outros falam, tem um reforço, e vice-versa com banda e fotógrafo. Também tenho apoio de tatuagem. Parece que é simples, não faz diferença, mas além de reduzir meus gastos com tatuagem (importante! (risos) mostrar que alguma empresa acredita em você, já tem seu peso. Como eu já disse, não dá pra ser eremita, fotógrafo já trabalha sozinho, então vejo grande importância nas parcerias.
13 – A Internet tem sido uma grande porta para divulgação de trabalhos, bandas etc., qual é a sua relação com a mesma, e até que ponto ela influencia de um lado positivo?
Mel : Minha relação com a Internet é ótima! (risos) Eu fiquei louca quando passei um tempo sem Internet em casa, porque pra mim é essencial poder divulgar minhas fotos todos os dias, fazer contatos, me manter antenada e “linkada” ao mundo! Ela influencia positivamente quando faz seu trabalho ter acesso a pessoas que estão muito longe de você e de sua realidade, e pessoas perto. Atinge a muitos, e tem um retorno significante. Ultrapassa só essa positividade quando dá espaço para invasão de privacidade, você fica aberto a críticas ruins sem embasamento, mas são fatos ínfimos e de pouquíssima ou rara freqüência, por isso diria que é positiva quase 100% do tempo. Ruim mesmo é que viramos um pouco “escravos” dela. Não sei fazer nada sem Internet fulltime à minha disposição, fico perdida!
14 – Você tem outro talento que não expõem muito, que é o de cantar, não tem nenhum projeto ou algo pra seguir nessa também?
Mel : Verdade, você ouviu uma gravação minha!! (risos) Fiquei feliz que gostou! Então, em meio a essa correria de trabalho, meu projeto ficou parado, da minha banda “Plugnôva”. Mas estou com um projeto de blues, jazz, rock e lounge, uma mistureba danada, que tem até violoncelo, que é o The Gerrys. É um som mais leve e trabalhado, mas sem perder as características de quem veio da escola de rock e vertentes. Quem sabe em breve estará num myspace da vida (risos) Mas até lá, muita água vai rolar. Pode deixar que mando pro seu blog pra divulgar! Aaeehhh. Só que sinto falta da banda, gosto de fazer som mais pesado, odeio extremos, mas com música, às vezes sou os dois.
15 – Gostaria de agradecer pela entrevista, muito sucesso pra você Mel.
Manda um recado pra galera ai:
Eu agradeço a você também! Obrigada pela oportunidade de falar do meu trabalho. Aliás, falo bastante, ninguém mandou dar espaço! (risos) Valeu mesmo, de coração, sucesso pro blog, quebra tudo em 2009! Galera, quando a gente abraça um sonho e acredita nele como se estivesse acontecendo, ele se realiza várias vezes. E se lembrar do “por favor” e “obrigado”, pode tornar seu caminho mais agradável. Respeito e dedicação, pra tudo o que fizerem!
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MEL NADER LINKS
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Parceiros : Oca Surf e Zumbi Tattoos
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Por trás de lente um quadro feito por : Césinha
Agradecimento : Mel Nader
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4 comments :
Fudiiiiiida!
Conheço a Melzita ha pouco tempo, mas tempo suficiente pra perceber que eh uma puta profissional, dedicada, e muuito esforçada. Nao eh tao que os gringos cairam de paixao por ela..uahauhauhauhauha!
te adooooooro..sortee!!!! (=
AS perguntas 3,8 e 9 me chamaram bastante atenção. Até li com mais dedicação as respostas. Mas a entrevista inteira está maravilhosa !! (como sempre!)
Parabéns Césinha!!
Beijos e sucesso sempre!
A Mel manda bem pra caralho e adorei a entrevista...
Ela respondendo tudo mto bem
isso ae Mel, arrasou!
Conte comigo sempre.
beijo,
Ly.
ficou fods ;)
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