Entrevista, Regis Renan (One Music) SAMPA ROCKS FEST







SampaRocksFest, esse é o nome dado ao evento competente feito por Régis Renan (One Music) e Valdinei Freitas (Agência SobControle), que trabalham para melhor abranger o que mais se tem destacado no cenário nacional hoje em dia no nosso RockBrazuca, seja ele crescente de opiniões contrarias ou favorecidas mas ele esta ai. Um festival que nasce com o objetivo claro de trazer mais uma vez a São Paulo a magia e essência dos grandes festivais musicais, onde contando com estrutura profissional as bandas terão um espaço de qualidade para apresentar sua arte, e o público a oportunidade de conferir no mesmo palco, bandas de grande destaque na mídia nacional juntamente de grupos que aos poucos vem conquistando seu lugar ao sol e firmando-se no cenário. Num bate papo com Regis organizador do evento, ele nos conta um pouco mais sobre tudo isso e fala da expectativa dessa segunda edição desse grande evento. Confira:



1 – Primeiramente gostaria de saber de onde e de quem foi à idéia para realização desse evento e como foi planejado?

Regis: Antes de mais nada gostaria de dizer que é um grande prazer estar nesse bate-papo contigo e dizer que aprecio muito o trabalho que você realiza Césinha.
Voltando ao assunto, eu já tinha a idéia de fazer algo como o Sampa RockS à algum tempo, e a mesma ganhou força quando conheci o Tatá(Valdinei) numa viajem à Curitiba à aproximadamente 1 ano e meio atrás, onde trabalhariamos juntos na produção do show da banda americana Misfits. Apesar de ainda não nos conhecermos pessoalmente, um já conhecia o trabalho do outro, e ao conversarmos surgiu uma identificação bacana de idéias e começamos à trabalhar no projeto, foram muitos meses de estudos,  pesquisas e reuniões até que chegássemos no conceito ideal do que seria o Sampa Rocks Fest 1, e o resultado está aí (rs).

2 – Você juntamente com o Valdinei Freitas (agencia sobcontrole) já tem certa experiência com a cena e lidam há algum tempo, é difícil fazer  essa mescla entre mainstream e underground hoje em dia ou isso não tem regra?

Regis:
Sem dúvidas, não há regras quanto à isso. É mais do que comum esta mistura entre "Mainstream" e "Underground" ou Independente. Tenho que confessar que algumas bandas consideradas "Mainstream" tem certo preconceito para com bandas novas, fazendo algumas exigências ao meu ponto de ver desnecessárias que envolvem as bandas menores como evitar o contato, camarins separados, esse tipo de coisa. Mas já estamos acostumados e "tiramos isso de letra".

3 – Acredita que as duas cenas (Mainstream e Underground) hoje em dia estão caminhando juntas e se tornando uma só?

Regis:
Não acredito nisso, o que se vê com maior freqüência hoje são as grandes gravadoras contratando bandas do underground. Mas a partir do momento da contratação, eles mesmos fazem questão de deixar claro que não são mais uma banda underground, apresentando uma nova e grande estrutura tanto de mídia quanto de produção, e consequentemente inflacionando o cachê a ponto de produtores do underground não conseguirem mais contratar as mesmas (caso de Nx Zero e outras, que hoje tem em sua agenda 90% de eventos corporativos). 

4 – Voltando a falar do festival, o SampaRocksFest tem uma mescla que citei a pouco entre mainstream e underground, qual requisito para uma banda do underground ter seu espaço num festival de proporção grande como esse? Pois sabemos que as bandas do mainstream têm empresário, contrato e tudo mais e as bandas do underground como é feita a seleção?

Regis:
A cada edição do Sampa RockS é feito um estudo/análise sobre possíveis bandas que possam vir a integrar o Line-Up, que dura alguns meses, esse estudo leva em conta principalmente o custo/benefício de cada banda, o que ela pode agregar ao festival e etc. Esta análise é feita tanto para bandas consideradas Mainstream como “underground”. Primeiramente selecionamos as bandas âncoras do evento, como por exemplo: Forfun e Cine na primeira edição do evento, ou Restart, Glória e Hevo84 agora na segunda edição e depois as que completarão o casting.

5 – O que é mais difícil para realizar esse evento e o que é mais gratificante?

Regis:
Pergunta difícil, ficaria muito tempo citando dificuldades aqui que não são poucas, mas acredito que as principais sejam os problemas que encontramos na pré-produção, 99% deles gerados pela falta de profissionais responsáveis e de compromisso. Desde que encerramos a primeira edição, decidimos que toda e qualquer ação que tomássemos envolvendo terceiros, seria devidamente documentada, seja ela contratação de atração, serviços ou produtos, pois a falta de compromisso de certas empresas é absurda, e infelizmente vem se tornando constante, o que prejudica muito nosso trabalho. Uma coisa que damos muita atenção e procuramos sempre atingir, é a excelência na organização e desenvoltura do evento, vemos por aí cada coisa que nos deixa abismados, e por isso procuramos não somente contratar as bandas, colocar no palco e seja o que Deus quiser, mas sim proporcionar um evento de qualidade tanto para o público que comprou o ingresso e foi prestigiar seu ídolo, quanto para a banda que está trabalhando, investimos muito em profissionais qualificados e porém isso hoje é bem pouco valorizado. O mais gratificante é sem dúvida nenhuma, entrar no evento e ver a alegria no rosto de cada um curtindo aquele momento, alguns mais contidos, outros mais extravagantes mas todos saírem de lá felizes e satisfeitos. E o reconhecimento que graças à competência de nossa equipe temos tido de bandas, veículos de imprensa e público em geral.

6 – Em vários festivais ainda hoje em dia para uma banda de menor “atenção” digamos assim, tem que vender uma cota de ingresso para poder estar tocando num tal evento que alguma banda de maior “atenção” estivesse tocando, e isso na maioria das vezes só desvaloriza o trabalho daquela banda que paga essa cota de ingressos e no fim acaba tocando pra quase  ninguém e mal vê a banda de maior “atenção” devido ao cansaço pois sempre nesses festivais rolam mais 15 outras bandas fazendo o mesmo sacrifício, o que pensa em relação a isso? Qual conselho daria?

Regis:
Descordo plenamente quando levanta a hipótese de a banda ser desvalorizada e tocar pra quase ninguém pelo fato de ter vendido ingressos. A falta de público pode sim, acontecer em alguns festivais por falta de planejamento ou de estrutura para poder abrir a casa com bastante antecedência, ter atrativos que façam o público comparecer cedo ao evento e etc, mas ser desvalorizada por isto, jamais. Posso afirmar que esta situação não acontece com o Sampa RockS Fest, visto que a primeira banda à se apresentar na edição do dia 30/08, subiu ao palco pontualmente ao meio dia, e se apresentou para aproximadamente 1.500 pessoas. Acredito que em momento algum a banda tenha se sentido desvalorizada por isto. Prova disto é que esta mesma banda estará novamente na próxima edição do festival, assim como outras 6 bandas que também se apresentaram anteriormente e sairão de lá extremamente satisfeitas. Gostaria de por um momento fugir do foco principal da pergunta para abordar um pouco mais a fundo minha opinião com relação ao assunto “venda de ingressos”. Realmente a realidade da cena hoje não permite que consigamos realizar um evento de tal porte sem que as bandas se comprometam em divulgar e vender ingressos para o evento. Ao meu ponto de vista, tal fato se dá principalmente por 2 motivos. O primeiro, o cachê excessivamente elevado cobrado por grande parte das bandas de grande destaque na mídia, que em sua quase totalidade não “se pagam”. Entenda-se por não “se pagam” que se fizermos um show apenas com esta banda, o público presente não seria suficiente para pagar o cachê da mesma, independente da divulgação realizada. E o segundo e principal motivo, a falta de comprometimento das bandas de menor “atenção” como você exemplificou, visto que já nos cansamos de realizar/presenciar eventos em que não existe cotas de ingressos e as bandas convidadas não cooperam em nada na divulgação do mesmo, não convidam nem os próprios amigos para os prestigiarem. E você me pergunta, mas o papel da banda é criar, compor, tocar e não divulgar não é? E eu lhe respondo: pode ser. Mas acreditamos que essa filosofia de trabalho não sirva para bandas que estão começando e queiram um espaço em eventos de qualidade e bem estruturados. Se o músico pretende trabalhar somente compondo e tocando, o ideal é que ele tenha uma estrutura/equipe que faça o restante do trabalho por ele. Pois sem este trabalho de divulgação de seu próprio trabalho, acredito que não conseguirá abrir portas em festivais e eventos de qualidade. A dica que fica é, antes de mais nada esforce-se para fazer boas músicas e ter um bom show, à partir daí encare sim o trabalhoso ato de se divulgar e vender ingressos em alguns shows, pois só assim você conseguirá aparecer, ganhar notoriedade e aí sim começar a receber convites para grandes eventos e ser remunerado por se apresentar.

7 – Essa 2º edição do evento contará com grandes atrações que estão ai na mídia, qual sua expectativa para essa edição?

Regis:
Cara, a expectativa é a de fazer um show ainda mais bonito e estruturado do que foi a primeira edição, estamos trabalhando/investindo forte para isso. E com relação à público, as expectativas são as melhores possíveis, acredito que acertamos na seleção das atrações deste festival, todas elas são excelentes bandas, tem um trabalho bem sério por trás, nós também temos uma equipe extremamente responsável trabalhando forte na divulgação web, rua e assessoria de imprensa e graças ao esforço de todos, a procura está bem grande. Além disto, estamos saindo de uma edição que foi sucesso em todos os aspectos, nos gerou muitos elogios e grande credibilidade, o que facilita muito nosso trabalho.

8 – Qual melhor lembrança do primeiro samparocksfest que tem em sua memória?

Regis:
Cara são várias, mas dentre muitas, posso destacar duas que me surpreenderam e realmente marcaram. A primeira foi chegar ao Espaço Victory às 7h da manhã e se deparar com uma fila gigantesca de fãs alucinados querendo entrar na casa para curtir o show.

A segunda foi a entrada do Michael Jackson cover(rs). Ninguém, além de mim e o Tatá sabia da atração, nem pessoal da equipe, ninguém mesmo. No horário combinado o cara chegou na casa, nos procurou, explicamos para equipe técnica e de palco o que aconteceria, e aí foi loucura... Todas as luzes se apagaram, fumaça ligada, a música começa, ele entra no palco e leva a galera ao delírio, foi lindo demais a reação do pessoal  até hoje assisto os vídeos e me divirto(rs). Dentre muitas outras.

9 – Dentre as bandas que irão participar a alguma em que se destaca mais em sua opinião?

Regis:
Várias se destacam por “N” motivos, bandas como Restart, Replace e Hevo84 vem crescendo absurdamente e surpreendendo à todos. Apresentaremos também outras bandas de menor expressão que poucos conhecem mas que tem um trabalho muito bem feito como a 4While, CapsLock, Evox, a Dellitus que vem do Rio Grande do Sul. Enfim eu particularmente gosto de todas que estão no festival, mesmo porque se não achasse boas o suficiente, elas não estariam. Mas pessoalmente minha preferida é o Rancore, o show dos caras é imprescionante, piro e acredito muito no trabalho deles. É uma banda que vem crescendo demais e surpreende a cada show.

10 – Agradeço a entrevista, deixe um recado pra galera:

Regis:
Galera, muito obrigado pelo apoio e reconhecimento que vocês tem nos dado, isso nos inspira muito para termos gás para executar um trabalho de cada vez mais qualidade para vocês. Nos vemos no Sampa RockS Fest II e podem esperar por excelentes espetáculos. Um forte abraço à todos.

:: SAMPA ROCKS FEST LINK ::

HTTP://www.samparocksfest.com.br    

    
 

1 comments :

Anônimo disse...

eu já disse que adoro suas entrevistas? :D

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