Em conversa com Eric (Vocalista) ele nos conta um pouco mais sobre o EP e como foi o processo de gravação, confira:
1 - Como foi o processo de gravação desse EP, qual a importância de se manter ativo de alguma forma, em plena essa nossa fase de pandemia?
Eric: Fala Cesinha, obrigado pelo espaço e pelo interesse no nosso trabalho.
Cara a gente iniciou o processo antes da pandemia, fechamos a
gravação, mais ou menos em outubro de 2019 para começarmos em janeiro de 2020.
Dai fomos ao estudio Warzone em Santos em janeiro e gravamos as baterias, em
fevereiro gravamos guitarras e baixo e as vozes ficariam pra março, e então
veio a pandemia.
Conversamos com o Leo Mesquita (Surra) que foi quem nos gravou e
produziu e decidimos adiar e esperar ver como as coisas ficariam. Acabamos só
gravando as vozes em outubro, fomos só nós 4 pro estudio que tava fechado a
meses (e ainda continua) e terminamos em 2 dias as vozes.
O que gostaria de dizer é que o Leo foi um produtor incrível
ajudou muito a nós 3. Foi um processo longo mas que valeu muito a pena. A
pandemia ta sendo horrível para muita gente, algumas bandas acabaram, outras
não conseguem produzir, outras nem querem, cada um tem lidado de um jeito.
2 - Sobre as composições e definições das musicas, quais os principais critérios, em qual foram as inspirações pra que se forma-se o "Onde Quer Chegar"?
Eric: Cara quando voltei a tocar tinham algumas musicas que fiz com minha antiga banda que não tive a chance de gravar e queria muito gravar essas musicas que eram importantes para mim. Os caras toparam e foi isso que aconteceu. 3 das 5 musicas são musicas dessa época 2004 a 2007 mais ou menos, uma é uma regravação dessa mesma época só que agora com a minha voz e arranjos de bateria diferentes e a musica de abertura que é “nova” fiz em 2017 que é ONDE QUER CHEGAR. A escolha até foi fácil por que já tinha explicado para o Marcus e o Marcel qual era minha ideia em termos de musicas e eles toparam.
Trocando em miúdos Onde quer chegar fala sobre não se deixar levar pelo que os outros falam sobre aquilo que você quer fazer da sua vida. Eles não são heróis (regravação) fiz logo depois do ataque as torres gêmeas e é sobre o quanto vejo exércitos como forças e instrumentos de morte e não como heróis como os filmes americanos tentam mostrar. Por que não é sobre a dificuldade que temos em ouvir NÃO na vida e não reconhecer que alguns deles são realmente necessários e podemos aprender muito com eles, alguns inclusive são bons. Viver e escolher fala sobre você as vezes ser pressionado a escolher um modo de viver, como se tivesse que se matar de estudar e trabalhar planejando um futuro “próspero” e com “dinheiro" ou viver no estilo morra jovem e não se importar com nada como se fosse indestrutível, sempre disse aos amigos que equilíbrio entre trabalhar e viver o hoje é muito importante, por que a gente nem sabe se vai ter um futuro, e a pandemia me fez lembrar disso, perdi um amigo querido que dedicou a vida a estudar e trabalhar pensando no futuro da família e a covid o matou 6 meses depois dele se formar, fiquei destruído. Vou te enfrentar última faixa do ep é a mais importante para mim, escrevi quando minha companheira ficou grávida de nosso primeiro filho em 2006.
Ficamos em choque rs...mas nos
abraçamos e nos comprometemos com o que tínhamos a nossa frente mesmo ser ter planejado, e enfrentamos a vida de
frente, a responsabilidade de por outro ser humano no mundo é algo que mexe
muito com a nossa cabeça, mil questionamentos, mil responsabilidades, colocar a
prova o que a gente diz acreditar em termos de não se entregar a um padrão
social que não aceitamos e nem achamos correto, é doideira e a musica é uma
conversa entre eu e a vida, durante a pandemia li muito a letra dessa musica pra
mim mesmo, por que não tem sido fácil lidar com essa merda toda individualmente,
coletivamente e como pai mais difícil ainda. Mas VAMOS ENFRENTAR.
3 - Ainda sobre essa pandemia, quais as expectativas para um "retorno do novo normal", acha que a retomada será positiva pras bandas, já que várias casas de shows teve suas portas fechadas diante dessa crise?
Eric: Cesinha essa é uma pergunta difícil, eu falo para caramba, mas essa eu fico meio sem palavras. Não sei o que esperar, não sei quantos espaços vão resistir, quantas bandas, como as pessoas vão estar, se loucas pra viver a vida e ir a shows viver as coisas pessoalmente ou se vão se entregar a vida virtual e ao medo do que pode acontecer na rua. Essa é difícil, mas espero muito que as pessoas valorizem a vida e os produtores de conteúdo ao vivo e coletivo (bandas, artistas e espaços de shows e encontros).
4 - Qual propósito da CausaHC com lançamento desse EP?
Eric: Mostrar e compartilhar nossas ideias e som com a galera.
Esperamos muito poder voltar a tocar ao vivo e conhecer mais pessoas e mais bandas e mais histórias por ai, a musica conecta as pessoas de uma forma incrível e isso foi sempre o que mais gostei em ter uma banda, falar o que penso através da musica e isso me conectar a outras pessoas.
5 - Você me contou que costuma postar/divulgar bandas no perfil do Facebook da banda as terças, qual a importância pra você de poder ter essa união e conscientização do coletivo, até onde isso agrega e qual a importância da valorização do coletivo no meio independente?
Eric: Cesinha essa foi uma proposta minha dentro da banda, falei pros caras a gente ainda não tem musica gravada, não temos muito oque divulgar e eu sempre acreditei que coletivamente as coisas andam muito mais rápido e melhor. Eles acharam a ideia legal, todos da banda tem liberdade pra indicar material pra ser postado nas terças feiras (as vezes em outros dias também) mas não só bandas, já divulgamos espaços, blogs, sites, canais do youtube, o nosso intuito é divulgar bandas e informação que consideramos pertinentes ao que nos propomos a discutir enquanto banda. Você pode abrir nossa página um dia e ver um texto sobre educação infantil, ou sobre luta de classes, ou sobre apropriação cultural, ou sobre o presidente atual ser um lixo genocida, pode encontrar de tudo que acharmos que tem a ver com o universo underground/hardcore. Esperamos muito que mais bandas e pessoas façam isso se também entenderem que é importante. Só a musica as vezes é pouco, os fãs dos riffs do (Dead Fish) que o digam né, perderam total a conexão com o conteúdo da banda, rs.
A equipe do BLOGDOCESINHA agradece a entrevista, deixe um recado pra galera: Boa Cesinha, agradeço demais em nome da banda o espaço e o interesse no nosso trampo brother, pode contar com a gente pra divulgar seu blog e espero que ele cresça e inspire mais pessoas a produzir conteúdo do tipo.
Esperamos poder estar na rua em breve pra trocar energia, ideia e abraços com a galera, e mais do que tudo esperamos muito que as pessoas acreditem, que elas podem e são agentes de mudança, toda conversa, todo grito, toda linha escrita, vale a pena se estamos buscando um lugar melhor para viver e coletivizar essa vivência, que não sejamos nós a andar pra trás e nos sentirmos coagidos e com vergonha por nossa verdade ser a que exige que, todos sejam incluídos nas decisões e cuidados do bem coletivo, e que esses seres escrotos egoístas e preconceituosos, voltem eles a ter vergonha de mostrarem suas caras, pq eles são o problema. Obrigado e sigam firmes ✊se cuidem.
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2 comments :
Cesinha foi um prazer trocar essa ideia com vc brother, espero que em breve possamos estar no role e quem sabe nos conhecermos pessoalmente, um grande abraço e força ai man.
Prazer todo meu, legal trazer algo relevante e dessa qualidade pra cá, esse nosso objetivo poder mostrar pra numero máximo de pessoas nossos trabalhos. parabéns vida longa ao CAUSA!
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