Naja White, interpretada por Nylo Bimbati (30 anos), é do interior de São Paulo, Leme, mas reside na capital há 12 anos, aonde pode desenvolver melhor suas habilidades artísticas, incluindo o canto, paralelamente com a vida profissional de assistente de Marketing e Social Midia. Inspirada nas especulações que o emo está de volta, a DragQueen Naja White vem a 6 anos atuando na noite paulistana, trazendo em seu repertório bandas como CPM22, Charlie Brown JR, lançou em 2020 seu primeiro single "O Emo Está de Volta", onde reuniu humor, drama e uma ótima base de PopPunk com elementos atuais.
Se definindo uma DragQueen Roqueira, alternativa e que toca na memória afetiva de quem viveu e curtiu aquela fase inesquecível dos anos 2000. Confira o clipe do single "O Emo Está de Volta":
No inicio desse ano Naja White, lançou seu primeiro EP completo intitulado "DesabafEmos", com 4 musicas de criação autoral, sendo a carro chefe "Me Isolar" com grande peso não só na bateria e vocais, mas como no emocional, falando sobre um relacionamento conturbado. Ouça na integra:
ENTREVISTA ESPECIAL
O próximo passo desta vasta revelação artística agora é o EP- DesabafEmos Acústico", que irá contar com uma musica inédita na mesma pegada acústica e tem previsão de lançamento pra agosto desse ano. E Naja nos conta um pouco mais sobre tudo isso:
1 - Primeiramente, parabéns pelo ótimo trabalho até então, e nos conte um pouco sobre tua história, referências e de onde surgiu o nome artístico Naja White?
R: Olá, obrigada pelo convite!
Eu sou do interior de São Paulo, mas
estou na capital há 12 anos. Sou formado em moda, mas sempre trabalhei com
marketing, comunicação e redes sociais.
A Naja surgiu em meados de 2015,
como uma necessidade de expressão, de me desconstruir e aceitar algumas coisas.
A princípio não tinha nada a ver com música, mas sobre desconstruir meus
preconceitos.
O nome Naja foi inspirado na Raja da
Season 3 de Rupaul’s Drag Race. Meu apelido de boy é Nylo, então troquei o R
pelo N e ficou Naja. Aí fiquei mais inspirado, pois é uma cobra imponente etc.
2 - Sobre os trabalhos já realizados como você se define, uma artista solo, ou inclui toda produção instrumental como um grupo?
R:Sou
uma artista solo que trabalha com um produtor musical (contratado) para criar a
parte instrumental, mixar e tudo mais. Letras e melodias são compostas por mim.
3 - Conte nos um pouco como foi o processo de produção e criação das suas musicas até aqui, quais principais influências?
R: Eu
componho desde a adolescência. Mas nessa época, eu escrevia sobre a minha fé
até então. Então, quando voltei a compor nos últimos 4 anos, comecei a olhar
pra minha vida e minhas experiências, sobre qualquer coisa que poderia me
inspirar a cantar sobre aquilo, mas se possível, ajudar as pessoas também com
os seus dilemas. Adoro quando a música serve de conforto ou motivação!
Musicalmente,
minhas maiores inspirações estão no rock e emo dos anos 2000. Eu amo Hateen,
acho lindo Charlie Brown Jr, mas também sou a pessoa que curte algo mais pop
como Avril Lavigne e até mesmo grandes divas do Pop. Então, o meu som é um
reflexo de tudo isso.
4 - Como tem sido a repercussão do teu trabalho com as canções autorais e qual objetivo daqui pra frente?
R: Desde
que lancei a primeira “O emo tá de volta” oficialmente nas plataforma, parece
que foi como se eu tivesse tirado uma carteirinha oficial de drag cantora.
hahaha A partir daí, surgiram entrevistas bacanas, tipo Rolling Stone Brasil, e
o meu alcance foi crescendo. Mas ainda sou uma artista pequena e tenho muito o
que repercutir até ter uma base de fãs que estejam dispostos a acompanhar meu
trabalho. Infelizmente, ainda tem muita gente que não faz ideia da minha
existência… kkkk
5 - Uma suposta "normalização" do cenário atual e volta de shows, qual sera o foco, qual publico pretende alcançar com teu projeto?
R: Sinceramente,
eu não sei qual é exatamente o rosto do meu público até então, pois desde que
me lancei oficialmente, entramos em pandemia. Então eu não fiz shows com um
público que veio depois disso.
Vai
ser tudo muito novo pra mim, quanto pra quem irá aos meus shows futuramente!
Mas sobre quem eu pretendo alcançar, eu posso dizer que gente de coração bom,
que vai em shows pra curtir o momento e se emocionar, porque eu me emociono
muito no palco, conto coisas pessoais ou que sinto de falar na hora, ao mesmo
tempo que rola um humor leve e divertido. Quem for fã de Naja White não pode
ser LGBTFóbico, racista, machista e tudo mais.
Quero
que meus shows sejam livres para todas as idades, pregando o amor, respeito e
só coisa boa! Acredito inclusive que o público adolescente possa se identificar
com muitas coisas que virão e eu vou amar se isso acontecer!
6 - Como uma artista "Drag" acredita que teria limitações no espaço que almeja conquistar ainda mais, ou não teria problema algum em relação a isso?
R: Sim!
Até mesmo a Pabllo Vittar, que é a drag queen mais seguida do mundo, sofre
boicote por preconceito em algumas rádios no Brasil, imagina o quanto de
preconceito uma drag queen EMO (que já foi um movimento hostilizado na época do
seu auge) no meio dos rockeiros e metaleiros conservadores pode sofrer?!
Acho
que as barreiras do preconceito são tipo as “boas vindas” pra qualquer artista
lgbtqia+ quando entra no mercado da música.
Mas
sobre o espaço que eu desejo conquistar, ele não existe ainda. Eu estou criando
o meu espaço. Não conheço outra drag queen Emo que cante sobre as coisas que eu
canto e que tem exatamente essa pegada do pop punk. Então, eu acredito que a
partir disso, um novo cenário irá nascer. Porque é a mescla do mundo rock, com
o mundo pop (drags que são uma grande figura do mundo pop atual) e
LGBTQIA+.
Eu
me vejo fazendo shows em baladas com festas lgbtqia+, assim como em casa de
shows com público “hétero”.
7 - Na sua opinião em que tanto a internet pode te proporcionar e no que a mesma pode te limitar nos dias de hoje?
R: Acho
que a internet hoje em dia virou como uma vitrine pra quem é artista. Então eu
vejo vantagens. Se souber usar as ferramentas pra se comunicar com o seu
público, você terá grandes resultados.
Talvez
a limitação seja o tempo que se perde na internet. É preciso tomar cuidado pra
não ficar focado apenas em likes e nos resultados, pois a vida real é outra
coisa!
8 - Acredita que haja preconceito em relação ao estilo "EMO" tanto na musica, como estilo de vida ou isso se limita a opiniões de quem não tem o conhecimento devido em relação ao assunto?
R: Acredito
que isso aconteceu nos anos 2000. Hoje em dia, estamos no Revival do Emo, onde
esse termo se ressignificou de forma linda. Até mesmo os artistas que naquela
época não aceitavam ser chamados de EMO, hoje abraçaram o título e estão dando
o melhor de si pra cena ser revivida e lembrada com respeito.
O
que aconteceu naquela época foi um grande misto de homofobia, preconceito e uma
confusão estética. Hoje, isso pode ser revivido de uma forma que faça mais
sentido pra cada um, principalmente através da musicalidade.
Acredito
que irão surgir muitos festivais de EMO / Pop Punk e Hardcore após a pandemia!
9 - Em relação aos próximos passos, tanto da musica, do rock e de todo esse transtorno que estamos passando, o que você espera de tudo isso?
R: Espero
sobreviver e que todo mundo seja vacinado o quanto antes! Quase perdi a minha
mãe para o covid e pude sentir na pele um pouco do que muita gente passou e tem
passado nesses últimos anos. Espero que as pessoas tenham força pra aguentar e
passar por tudo isso, mantendo sua integridade, respeito e empatia, sem
aglomerar em festinhas e coisas do tipo, até que finalmente isso seja permitido!
10 - Grato pela entrevista, deixe um recado para nossos leitores:
Eu que agradeço! Obrigada pra quem leu! Espero que tenham gostado de me
conhecer mais um pouquinho! Não deixe de me seguir na sua plataforma de
streaming favorita e ouvir minhas músicas e playlists! <3
Aproveito pra dizer que dia 28/05 tem o lançamento da versão acústica
de “Me isolar” e, em breve também, o EP “desabafEMOs” Acústico com uma música
inédita! (FAÇA O PRÉ-SAVE AQUI) - (TODOS LINKS NAJA WHITE)
1 comments :
Parabéns pela entrevista, Césinha!!
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